O Ministério Público do Trabalho (MPT) anunciou na quarta-feira, 15, a abertura de um procedimento para investigar denúncias de assédio sexual e moral na fábrica da BYD, localizada em Camaçari, na Bahia. As acusações foram tornadas públicas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, que destacou ter recebido um número significativo de relatos.
Segundo o MPT, o sindicato informou que recebeu “dezenas” de relatos de assédio sexual e “centenas” de denúncias de assédio moral de trabalhadores da montadora. Apesar das declarações, o sindicato ainda não formalizou uma denúncia junto ao MPT. Mesmo assim, o órgão decidiu iniciar uma investigação preliminar para apurar os fatos mencionados.
O MPT vai convocar representantes do sindicato para que apresentem as informações que sustentam as acusações. Além disso, o órgão já investiga um caso de suposto assédio moral na empresa, que também se encontra na fase preliminar.
“Elas têm sido perseguidas tanto por líderes chineses quanto brasileiros”, relatou Julio Bonfim, presidente do sindicato. Ele ressaltou que o assédio moral é intenso na fábrica e isso cria um ambiente propício para o assédio sexual.
Bonfim mencionou que a entidade enfrenta dificuldades para quantificar o número total de vítimas, pois muitas trabalhadoras hesitam em denunciar os casos. “Tivemos alguns relatos, incluindo um de um trabalhador chinês que assediou três mulheres”, contou. O dirigente também informou que o sindicato tem cobrado ações da empresa para solucionar a questão. Recentemente, uma assembleia realizada pelos trabalhadores resultou na paralisação do primeiro turno da fábrica, com a participação de cerca de 2,5 mil funcionários. Essa mobilização teve um impacto significativo, com a interrupção da produção de aproximadamente 600 veículos.
“Queremos que a empresa implemente um programa interno de relações interpessoais para prevenir casos de assédio moral e sexual”, afirmou Bonfim.
A BYD, por sua vez, emitiu uma nota onde afirma adotar uma política de tolerância zero contra qualquer forma de assédio no ambiente de trabalho. A montadora ressalta que está comprometida com a prevenção, apuração rigorosa das denúncias e aplicação de medidas disciplinares, incluindo demissão, quando necessário.
Além disso, a empresa disponibiliza um canal de denúncias por e-mail, que é amplamente divulgado nas áreas produtivas, permitindo que os trabalhadores relatem casos de forma anônima.
A fábrica da BYD em Camaçari começou sua implantação em 2024, a cerca de 50 quilômetros de Salvador. Em abril de 2026, a empresa foi incluída na “lista suja” do trabalho escravo pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em decorrência da exploração de 163 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão durante a construção da fábrica. Contudo, dias depois, a empresa conseguiu uma liminar na Justiça e teve seu nome retirado do cadastro, enquanto o caso segue em discussão.
