A Operação Juros Zero mirou o CEO do PicPay, Eduardo Chedid, investigado por descontos ilegais em folhas de servidores do DF. O executivo já havia sido indiciado na CPMI do INSS.
Na manhã desta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o Ministério Público realizou buscas envolvendo o executivo Eduardo Chedid Simões, atual diretor do PicPay, no âmbito da Operação Juros Zero. Esta operação investiga um esquema de descontos ilegais nas folhas de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal. Eduardo Chedid já possui um histórico de indiciamento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Descontos Indevidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O executivo, que ocupa o cargo de diretor-executivo (CEO) do PicPay desde 2022, conta com mais de 30 anos de experiência no setor de meios eletrônicos de pagamento. Ele já atuou em diversas marcas renomadas do mercado financeiro e possui formação pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Chedid também assumiu a liderança da holding internacional do grupo em 2024.
Eduardo Chedid consolidou sua carreira em posições de destaque na Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. Ele presidiu a Elo por seis anos e foi vice-presidente comercial da operadora Cielo. Além disso, o empresário ocupou o cargo de vice-presidente da Visa, atuou na diretoria da Credicard e integrou o conselho da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).
Segundo informações apuradas, a investigação atual revela que o PicPay, controlado pelo grupo J&F, teria embolsado ilegalmente mais de R$ 80 milhões de funcionários públicos do Distrito Federal. A empresa firmou um contrato com o governo local logo após um decreto que abriu espaço para o serviço de adiantamento salarial. O Tribunal de Contas do DF identificou que a fintech cobrava juros disfarçados sob a nomenclatura de ‘taxa de antecipação’.
O Ministério Público mobilizou agentes para cumprir 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Curitiba. A Justiça determinou o bloqueio de quase R$ 90 milhões nas contas bancárias do PicPay e da Associação dos Servidores do DF. A lista de crimes sendo investigados inclui corrupção ativa, lavagem de dinheiro, publicidade enganosa, fraude em sistemas e organização criminosa.
Em resposta às acusações, o PicPay divulgou uma nota oficial onde nega qualquer irregularidade nas operações mencionadas e refuta a existência de cobranças abusivas. A empresa afirma que os valores do adiantamento são creditados diretamente no cartão do usuário e que está colaborando plenamente com o Poder Judiciário.
