MP denuncia prefeito de Turilândia por esquema de R$ 56 milhões O Ministério Público do Maranhão apresentou denúncia contra o prefeito José Paulo Dantas Silva Neto, o Paulo Curió, e outras nove pessoas por suspeita de desviar mais de R$ 56 milhões dos cofres de Turilândia, na Baixada Maranhense.
Entenda a denúncia contra o núcleo político e familiar
A peça acusatória, assinada pelo procurador-geral de Justiça Danilo José de Castro Ferreira, foi protocolada em 19 de janeiro de 2026 e enviada à relatoria da desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). O documento aponta o prefeito como chefe de uma organização criminosa que utilizava licitações simuladas e notas fiscais frias para desviar recursos públicos.
Além de Paulo Curió, foram denunciados:
- Eva Maria Cutrim Dantas, a Eva Curió (esposa do prefeito);
- Tânya Karla (vice-prefeita);
- Janaína Soares Lima (ex-vice-prefeita);
- Domingos Sávio Fonseca Silva (pai de Paulo Curió);
- Marcel Everton Dantas Filho e Taily de Jesus Everton Silva Amorim (irmãos);
- José Paulo Dantas Filho (tio);
- Ritalice Souza Abreu Dantas e Jander Silvério Amorim Pereira (cunhados).
Como funcionava o suposto esquema de fraude
Segundo o Ministério Público do Maranhão, empresas ligadas ao grupo venciam processos licitatórios forjados e emitiam notas fiscais de serviços ou produtos não entregues. Entre 2021 e 2025, a prática teria causado dano de R$ 56.328.937,59. Relatórios apontam que entre 82% e 90% dos valores pagos pela prefeitura retornavam ao prefeito e a familiares, enquanto o restante ficava com os empresários envolvidos.
O órgão ministerial imputa aos denunciados os crimes de organização criminosa, peculato-desvio, fraude a licitação, corrupção passiva e lavagem de capitais. Também requer o ressarcimento integral dos valores, a perda de bens adquiridos com o produto dos crimes e a cassação de mandatos ou funções públicas em caso de condenação.
Prisão preventiva e desdobramentos
Paulo Curió, Eva Curió, Janaína Soares Lima, o marido dela, Marlon de Jesus Arouche Serrão, e o contador municipal Wandson Jhonathan Barros estão presos preventivamente no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. As detenções foram mantidas após a Operação Tântalo II, deflagrada em 22 de dezembro de 2025 pelo Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
O Ministério Público informou que novas denúncias deverão ser apresentadas contra outros núcleos do esquema, incluindo 11 vereadores atualmente em prisão domiciliar e servidores municipais envolvidos em etapas administrativas e empresariais da fraude.
As acusações ainda aguardam o recebimento pela 3ª Câmara Criminal do TJMA, etapa que definirá se os réus se tornarão formalmente processados. Caso a ação seja aceita, eles responderão às imputações em regime de ação penal, com possibilidade de penas que incluem perda do cargo e devolução dos valores aos cofres públicos.
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Crédito da imagem: Prefeitura de Turilândia
Fonte: Agência Brasil
