Morte do congolês Moïse: Justiça condena terceiro acusado a 18 anos
Morte do congolês Moïse volta ao centro das atenções após o 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro fixar pena de 18 anos e 8 meses de reclusão, em regime fechado, para Brendon Alexander Luz da Silva. Ele é o terceiro condenado pelo espancamento que tirou a vida de Moïse Mugenyi Kabagambe em 24 de janeiro de 2022, na praia da Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.
Sentença reconhece crueldade extrema
O Conselho de Sentença entendeu que o crime foi cometido com meio cruel. Na decisão, a juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis ressaltou que a vítima ficou imobilizada por 12 minutos e 40 segundos “como se fosse um animal peçonhento”, enquanto recebia golpes de taco de beisebol, socos e chutes. Segundo a magistrada, Brendon nada fez para interromper a violência.
Como ocorreu o crime
Imagens de segurança mostram Moïse sendo atacado por quase 13 minutos. A investigação apurou que a discussão começou quando o congolês cobrou diárias de trabalho atrasadas ao dono do quiosque Tropicália. Durante as agressões, Brendon aparece ao lado de outro envolvido posando para uma foto enquanto a vítima já estava desacordada.
Depoimentos durante o julgamento
A sessão, iniciada por volta das 11h30, ouviu três testemunhas. Viviane de Mattos Faria, responsável pelo quiosque vizinho, entrou em contradição ao descrever os gritos da vítima e afirmou ter sabido dos fatos somente pela mídia. O proprietário do Tropicália, Carlos Fábio da Silva Muse, negou divergências com Moïse, mas reconheceu que o jovem parecia alterado no dia do crime. Já o gerente Jailton Pereira Campos, o “Baixinho”, confirmou que Moïse foi amarrado e alegou não ter pedido socorro por estar sem telefone, classificando o episódio como traumático.
Defesa do réu
No interrogatório, Brendon admitiu ter amarrado Moïse, porém argumentou que pretendia apenas contê-lo até a chegada da polícia. Ele disse ter tentado reanimar a vítima ao perceber que ela desmaiara e pediu perdão à própria mãe e à família do congolês.
Condenações anteriores
Em março de 2025, os outros dois réus, Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, receberam penas que somam 44 anos de prisão. Com a sentença de Brendon, todos os acusados pelo homicídio estão condenados.
Para especialistas do Conselho Nacional de Justiça, casos de violência extrema envolvendo imigrantes evidenciam a necessidade de políticas de integração e combate à xenofobia.
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Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil
Fonte: Tomaz Silva/Agência Brasil
