Morte de Ali Khamenei provoca reações globais de aliados e rivais e desencadeia uma série de manifestações diplomáticas desde o último domingo (1º de março de 2026), quando Teerã confirmou que o líder supremo iraniano, de 86 anos, morreu durante bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos e Israel iniciados em 28 de fevereiro.
Morte de Ali Khamenei provoca reações globais de aliados e rivais
Condenações de Rússia e China
Em nota publicada na rede social X, o presidente russo, Vladimir Putin, classificou o ataque como “violação cínica de todas as normas da moral humana e do direito internacional”. Putin ressaltou que Khamenei “será lembrado como estadista proeminente” que elevou a parceria entre Moscou e Teerã a “nível estratégico abrangente”. O Kremlin apresentou condolências aos familiares do aiatolá e ao povo iraniano.
Também pela plataforma X, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a ofensiva “fere gravemente a soberania e a segurança do Irã” e contraria princípios da Carta da ONU. Pequim exigiu a interrupção imediata das operações militares, defendendo esforço conjunto para “manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio e no mundo”.
Ameaças dos Estados Unidos e de Israel
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu “atacar milhares de alvos” ligados ao governo iraniano, com o objetivo de “criar um novo cenário político” na região. Netanyahu conclamou a população iraniana a aproveitar o vácuo de poder para “derrubar o regime clerical”.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump advertiu que uma eventual retaliação do Irã resultará em resposta “com força nunca antes vista”. Segundo o governo norte-americano, a operação prosseguirá até que a infraestrutura militar iraniana seja “neutralizada”.
Grupos do Oriente Médio prometem vingança
Organizações alinhadas ao Irã, como Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica e o movimento huthi, qualificaram a morte de Khamenei como “crime hediondo” e juraram vingança. O Hezbollah declarou que “cumprirá o dever de enfrentar a agressão”, enquanto o Hamas lamentou o assassinato do “principal apoiador da resistência palestina”.
Irã instala liderança provisória
Para assegurar a continuidade institucional, Teerã anunciou um Conselho de Liderança Temporária formado pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, e pelo aiatolá Alireza Arafi, representante do Conselho dos Guardiães. O colegiado assume o comando das Forças Armadas e das decisões de segurança até que a Assembleia de Especialistas, composta por 88 clérigos, escolha o sucessor definitivo.
Pezeshkian denunciou o ataque como “declaração de guerra contra os muçulmanos” e prometeu “vingança legítima” contra Washington e Tel Aviv.
Posicionamentos do Vaticano e de organismos internacionais
O papa Leão XIV pediu o fim da “espiral de violência” no Oriente Médio e advertiu que “a paz não se constrói com ameaças recíprocas”. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, convocou reunião de emergência do Conselho de Segurança, alertando que a escalada militar representa “grave ameaça à paz e à segurança internacionais”.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o cenário como “profundamente preocupante”, enquanto a alta representante da União Europeia para Relações Exteriores, Kaja Kallas, solicitou “máxima contenção”. Já a Agência Internacional de Energia Atômica informou que monitora instalações nucleares da região e, até o momento, não detectou riscos radiológicos.
Mais detalhes sobre os impactos globais podem ser acompanhados na cobertura da agência Reuters, que segue atualizando dados em tempo real.
Brasil monitora a crise
Até o fechamento desta reportagem, Brasília não havia se posicionado sobre a morte do aiatolá. Em nota divulgada em 28 de fevereiro, o Itamaraty manifestou “profunda preocupação com a escalada de hostilidades” e solidarizou-se com países do Golfo vítimas de ataques retaliatórios.
Com a repercussão internacional ainda em desenvolvimento, as atenções permanecem voltadas às próximas decisões do Conselho de Segurança da ONU e às movimentações militares na região.
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Crédito da imagem: Leader/WANA via Reuters
Fonte: Agência Brasil
