Moraes nega inclusão de Fux em julgamento do núcleo 2 Na última terça-feira (9 de dezembro de 2025), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o pedido de advogados de defesa para que o ministro Luiz Fux integrasse o julgamento do chamado núcleo 2 da trama golpista que buscou manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral de 2022.
Pedido classificado como “absurdo” por Moraes
Os defensores de Filipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, e do general da reserva Mário Fernandes, insistiram que Fux deveria participar da sessão. Moraes respondeu que a solicitação “não tem a mínima pertinência”, explicando que, após transferir-se voluntariamente da Primeira para a Segunda Turma, Fux está impedido de atuar em processos da turma de origem.
O relator destacou ainda o caráter “protelatório” do requerimento. Mesmo após a negativa, o advogado Jeffrey Chiquini tentou incluir novos documentos e slides sem autorização, sendo igualmente refutado. A insistência levou Moraes a acionar policiais judiciais, mas o defensor retornou ao assento antes de intervenção.
Réus do núcleo 2 e acusações
Seis acusados respondem por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado:
- Filipe Martins – ex-assessor internacional de Bolsonaro;
- Marcelo Câmara – coronel do Exército e ex-assessor do então presidente;
- Silvinei Vasques – ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF);
- Mário Fernandes – general da reserva e ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral;
- Marília de Alencar – ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça;
- Fernando de Sousa Oliveira – ex-diretor de Operações do ministério.
Conforme a Procuradoria-Geral da República, Martins atuou na elaboração da “minuta do golpe”, documento que sugeria decretar Estado de Sítio ou Operação de Garantia da Lei e da Ordem. Já Mário Fernandes teria preparado o plano “Punhal Verde Amarelo”, que previa o assassinato de Moraes, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Marcelo Câmara é acusado de monitorar ilegalmente a rotina de Moraes. A denúncia liga Silvinei Vasques às blitzes da PRF que dificultaram a circulação de eleitores do Nordeste no segundo turno de 2022. Marília de Alencar e Fernando Oliveira teriam fornecido dados que embasaram essas operações policiais.
Andamento da ação penal
Até o momento, o STF condenou 24 réus ligados aos núcleos 1, 3 e 4 da mesma trama golpista. O núcleo 5, que envolve Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo, segue sem data para julgamento, pois o réu reside nos Estados Unidos.
Ao abrir a sessão, Moraes fez a leitura do relatório com o histórico da ação. Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, iniciou a sustentação oral pela acusação. As defesas negam envolvimento dos réus nos fatos descritos.
O julgamento prossegue na Primeira Turma, sem a participação de Fux, reforçando a decisão de Moraes de manter a composição original dos ministros.
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Crédito da imagem: Rosinei Coutinho/STF
Fonte: Agência Brasil
