Um artigo lê O Alienista como lente para o inquérito das 'Fake News' e traça um paralelo entre Alexandre de Moraes e Simão Bacamarte. A análise aponta critério elástico de investigação e traços autoritários.
Um texto publicado em 06/09/2026 usa o conto O Alienista, de Machado de Assis, para fazer um paralelo com o atual cenário político e judicial do país. A comparação parte da figura do doutor Simão Bacamarte, que em Itaguaí funda a Casa Verde para recolher os supostos loucos da vila, e reclama do critério elástico que acaba internando quase toda a cidade.
Na avaliação exposta pelo texto, Alexandre de Moraes seria uma versão modernizada desse personagem literário, mas com traços diferentes: além do caráter do cientista obcecado, o artigo aponta a presença de um lado mais autoritário, aproximando-o do vilão cinematográfico Dr. Mabuse, que manipula e domina. O texto mantém que “como alguns já observaram” essa combinação teria resultado em uma atuação que vai além do zelo científico e se aproxima do controle.
Alvos citados pelo texto
- Bolsonaristas — apontados como os primeiros a ser alcançados pelo inquérito.
- Elon Musk — mencionado entre os alvos alcançados em seguida.
- André Mendonça — identificado como alvo mais recente e descrito como “acusado de crime de responsabilidade por, entre outras coisas, ter a ousadia de querer investigar Moraes por receber propina e trocar favores judiciais com Daniel Vorcaro”.
O texto descreve o Inquérito das Fake News como um procedimento nascido, supostamente, para apurar “ataques” contra o STF na imprensa e nas redes, e que teria se transformado em uma espécie de “Casa Verde togada”. Segundo o argumento, o inquérito teria reunido figuras ilustres e variados alvos, ampliando seu alcance progressivamente.
Há ainda no texto a observação de que, se o processo de ampliação continuar, eventualmente poderia alcançar o próprio relator. A comparação com Bacamarte prossegue por contraste: enquanto o alienista de Machado de Assis teria terminado por concluir, em um gesto de honestidade científica, que o verdadeiro louco era ele mesmo, o artigo afirma que Moraes não teria essa disposição. Na avaliação apresentada, faltaria ao ministro a boa-fé atribuída ao personagem literário e sobraria-lhe uma habilidade de controle e persuasão que o texto compara ao hipnotizador ficcional.
O tom do texto é crítico e usa metáforas literárias e cinematográficas para discutir preocupações sobre critérios de investigação, alcance de procedimentos judiciais e riscos de concentração de poder em inquéritos que atingem diferentes atores políticos e públicos.
