O sigilo da petição 15.645, ligada ao Caso Master, foi suspenso nesta segunda após ordem do STF. Alexandre de Moraes pediu a abertura e a PGR classificou o documento como relevante.
O ministro André Mendonça derrubou o sigilo da petição 15.645, um dos processos ligados ao chamado Caso Master, nesta segunda-feira (14), após ordem do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O despacho de Fachin foi publicado depois que o magistrado Alexandre de Moraes solicitou o levantamento do sigilo e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à solicitação.
Mais cedo, ao se manifestar a favor da retirada do sigilo, a Procuradoria-Geral da República afirmou que o documento em questão era considerado “relevante” para a compreensão da matéria em debate.
“Como se trata de documento tido como relevante para que Ministro desse Tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve, em coerência com as premissas do parecer anterior, a Procuradoria-Geral da República entende que também deve ser retirado o sigilo”
Vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho
Com o parecer da PGR, passou a caber ao presidente do STF, Edson Fachin, a decisão sobre a retirada do sigilo. A manifestação da Procuradoria havia atendido a um pedido formulado por Alexandre de Moraes a Fachin.
O argumento usado por Moraes foi de que o procedimento possui “elementos essenciais” para a sessão extraordinária do STF marcada para terça-feira (15), quando o plenário deverá analisar desdobramentos das investigações envolvendo a instituição financeira citada no caso. O ministro também pediu que os autos da petição 15.645 sejam encaminhados aos demais integrantes do Supremo antes do julgamento.
Julgamento
A discussão no STF ocorre às vésperas do julgamento da Petição 16.662, que reúne material extraído do celular de Daniel Vorcaro. A expectativa é de que o plenário discuta se há elementos para investigar Alexandre de Moraes por sua relação com o banqueiro.
Em 1º de setembro, o ministro André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens entre Moraes e Vorcaro, registros de encontros e informações sobre negociações envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro.
A Polícia Federal identificou 52 mensagens entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. O relatório também apontou atuação de Moraes na análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o Master e o escritório Barci de Moraes.
A divulgação desse documento provocou uma crise no Supremo. Alexandre de Moraes reagiu apontando indícios de abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de André Mendonça e pediu que a conduta do colega fosse investigada. A atuação de Mendonça deverá ser analisada pelo plenário do STF em 23 de setembro.
Antes do julgamento de terça-feira, porém, há outra controvérsia: a PGR defendeu o arquivamento do relatório produzido pela Polícia Federal, por considerar que houve irregularidades na origem do documento. Segundo a Procuradoria, a elaboração do relatório foi determinada sem comunicação prévia à Presidência do STF e sem submissão ao plenário.
