Em Cali, o chanceler afirmou que a reconciliação depende de Buenos Aires cessar ataques ao Brasil e às instituições. Ele também citou possível interferência dos EUA no caso.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou a deterioração da relação entre Brasil e Argentina, afirmando que é necessário que o governo de Javier Milei adote uma postura diferente. Em entrevista ao Clarín, Vieira ressaltou que a normalização das relações depende de Buenos Aires interromper os ataques contra o governo brasileiro e suas instituições. “É preciso apenas um pequeno gesto diante da importância das relações”, afirmou. “Devem cessar as agressões.”
A declaração foi feita durante uma visita a Cali, na Colômbia, onde Vieira representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na posse de Abelardo de la Espriella, do Movimento de Salvação Nacional, na última sexta-feira, 7. O chanceler enfatizou que a parceria entre Brasil e Argentina vai além dos governos que estão no poder, sendo um laço histórico que construiu mecanismos de cooperação ao longo dos anos.
Vieira lembrou o encontro marcante entre Raúl Alfonsín e José Sarney na fronteira, que simbolizou uma nova fase nas relações bilaterais. Ele também mencionou os mecanismos de transparência estabelecidos entre os dois países, incluindo na área nuclear, que demonstram a profundidade da relação.
“Argentina tem que valorizar a relação com o Brasil da maneira como o Brasil valoriza a relação com a Argentina”, disse Vieira.
O ministro apontou que a crise diplomática resultou na administração das relações por encarregados de negócios. Ele afirmou que o retorno do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, ocorrerá quando as condições que levaram à sua saída forem resolvidas, assim como a situação do embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi.
Vieira classificou como graves as manifestações de Milei contra o Brasil, especialmente durante sua visita ao país para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Segundo ele, as declarações do presidente argentino atingiram não só indivíduos, mas também instituições brasileiras e os Poderes da República. O chanceler destacou que essas agressões foram particularmente surpreendentes, ocorrendo em um curto intervalo de tempo.
Questionado sobre uma possível articulação entre Milei e o governo dos Estados Unidos, Vieira preferiu não fazer especulações. Ele também atribuiu a recente deterioração das relações entre Brasil e EUA a uma tentativa de intervenção no processo político brasileiro, mencionando encontros entre Lula e Donald Trump que discutiram questões comerciais.
A crise atual, segundo Vieira, teve início com a indicação de um candidato ao cargo de embaixador dos EUA no Brasil, que foi feita sem consulta prévia ao governo brasileiro. O chanceler criticou a forma como a situação foi tornada pública, afirmando que deveria ter sido tratada de maneira reservada.
A situação envolvendo a embaixadora brasileira nos EUA foi vista como uma forma de pressão para aceitar o candidato indicado por Washington. Vieira também refutou as alegações de Milei de que o governo brasileiro teria financiado uma campanha contra a Argentina, classificando-as como falsas.
