Fornecimento de 3,8 milhões t de fertilizantes fosfatados deve cobrir 76% do déficit projetado para 2026/27. Ministro André de Paula assina acordo em Rabat (14–18/set); embarques começam em breve.
O Marrocos fornecerá 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados ao Brasil para a safra 2026/2027. Essa quantidade deverá cobrir 76% do déficit estimado em 5 milhões de toneladas pelo governo federal para o período.
O acordo será formalizado pelo chefe do Ministério da Agricultura e Pecuária, ministro André de Paula, durante missão oficial a Rabat, no Marrocos. A agenda do ministro ocorrerá de 14 a 18 de setembro e incluirá reuniões com autoridades e representantes do setor produtivo.
A expectativa é que o fornecimento comece imediatamente. O primeiro embarque deve ocorrer já na próxima semana, segundo as informações divulgadas sobre o acordo.
O compromisso surge em meio a preocupação com a oferta internacional de fertilizantes. Conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio afetaram o mercado do insumo, com restrições logísticas e aumento dos custos de matérias-primas, pressionando agricultores e fornecedores.
O Brasil depende do mercado externo para abastecer a agricultura e importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Produtores aplicam fertilizantes fosfatados em culturas como soja, milho, algodão, trigo e cana-de-açúcar, tornando a regularidade no fornecimento essencial para a safra.
O Marrocos ocupa posição estratégica no mercado global do insumo por deter grandes reservas de fosfato, matéria-prima usada na fabricação dos fertilizantes. O país está entre os principais fornecedores mundiais do produto, o que explica o interesse do Brasil em ampliar a cooperação comercial.
Além dos fertilizantes, o entendimento entre os dois países prevê a retirada da tarifa de importação sobre a carne bovina brasileira. A medida poderá ampliar o acesso da proteína nacional ao mercado marroquino e aumentar a competitividade dos exportadores brasileiros.
A missão brasileira ao Marrocos também contará com representantes de entidades do agronegócio. O governo pretende ampliar a cooperação comercial e agrícola entre os dois países durante a viagem, buscando garantir abastecimento e novas oportunidades de mercado para produtores e exportadores.
Os detalhes sobre cronograma de embarques, prazos contratuais e logística de distribuição no Brasil deverão ser definidos na formalização do acordo em Rabat. A expectativa oficial é de que a operação ajude a reduzir a pressão sobre custos de produção e a fornecer maior previsibilidade à cadeia agrícola para a safra 2026/2027.
