O prefeito de Nova York destinou recursos extras para ampliar ações de prevenção e proteção contra crimes de ódio. O anúncio surge após um atrito público com o primeiro-ministro de Israel na Assembleia da ONU.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou nesta terça-feira (28) o lançamento de uma campanha de 26 milhões de dólares (22,9 milhões de euros) para o combate ao antissemitismo. A medida foi anunciada poucos dias após um desentendimento público entre o prefeito e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.
O plano destina a verba adicional ao Gabinete do Prefeito para o Combate ao Antissemitismo, que já conta com orçamento próprio. O objetivo declarado é ampliar ações de proteção e prevenção diante do que o prefeito descreveu como um crescimento do antissemitismo na cidade.
“Temos a responsabilidade de apoiar e proteger nossos vizinhos judeus; uma responsabilidade que cabe a cada um de nós”
“Essa é a tarefa que estamos realizando na Prefeitura, e peço a todos os nova-iorquinos que se juntem a nós”
O prefeito afirmou que o antissemitismo “é real e está crescendo” e citou ensinamento do Talmude para justificar a iniciativa: “quem sustenta uma alma, sustenta um mundo inteiro”. Ele declarou que, por gerações, os judeus de Nova York têm contribuído para a cidade e que a prefeitura lançou a primeira estratégia municipal desse tipo.
“Vamos investir em sua proteção, em sua história e em seu futuro. Nossa segurança e nossa prosperidade estão ligadas”
Segundo a prefeitura, os judeus representam 12% da população nova-iorquina, mas as estatísticas policiais indicam que os crimes de ódio antissemitas constituem mais da metade de todos os crimes de ódio confirmados na cidade. O prefeito disse considerar isso inaceitável e afirmou que a prefeitura liderará a resposta.
O anúncio detalhou um aumento de recursos para prevenção de crimes de ódio de 26 milhões de dólares, equivalente a um acréscimo de mais de 800% em relação ao ano anterior. O plano prevê 6,4 milhões de dólares (5,6 milhões de euros) para organizações comunitárias que previnem violência motivada pelo ódio, mais do que o dobro do que foi investido no ano anterior.
Entre os investimentos mencionados estão 2 milhões de dólares para o Jardim Memorial do Holocausto do Queens e 2,5 milhões de dólares (2,2 milhões de euros) para o Centro de Nova Cultura Judaica do Brooklyn. A gestão afirmou que, embora as iniciativas visem proteger a comunidade judaica, elas beneficiarão toda a população nova-iorquina.
Tensão entre líderes
A troca de críticas entre o prefeito e o primeiro‑ministro israelense começou após o prefeito apoiar publicamente o mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o líder israelense por supostos crimes de guerra e sugerir, inicialmente, que apoiaria a medida caso ele viesse à cidade para a Assembleia da ONU. O prefeito classificou repetidamente as operações israelenses na Faixa de Gaza como um “genocídio atroz”, mas acabou reconhecendo que não tinha autoridade legal suficiente para efetuar a prisão de Netanyahu.
O primeiro-ministro reagiu atacando o prefeito, chamando-o de “prefeito antissemita” e afirmando que seus discursos “colocam em risco os cidadãos judeus da cidade”
O anúncio da campanha e as declarações públicas entre os dois líderes mantiveram acesa a discussão sobre segurança, responsabilidades municipais e limites legais diante de tensões internacionais refletidas na cidade.
