Lula na Espanha defende coerência dos progressistas em evento mundial Lula na Espanha reuniu mais de 5 mil ativistas em Barcelona, onde pediu unidade da esquerda, condenou o neoliberalismo e alertou para o avanço da extrema-direita.
Lula na Espanha defende coerência dos progressistas em evento mundial
Presidente se apresenta na Mobilização Progressista Global
Em Barcelona, durante a primeira edição da Mobilização Progressista Global (MPG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou diante de um público estimado em 5 mil pessoas, entre eles outros chefes de Estado. O encontro, realizado para fortalecer a democracia com justiça social, reuniu organizações de esquerda de vários continentes.
Lula iniciou sua fala afirmando que ninguém deve sentir vergonha de assumir posições progressistas, desde que respeite as regras democráticas. O mandatário brasileiro defendeu que o “primeiro mandamento” do campo progressista seja a coerência entre promessas de campanha e ações de governo.
Críticas ao neoliberalismo e à extrema-direita
O presidente apontou o pensamento econômico dominante como responsável por agravar desigualdades e abrir espaço para forças reacionárias. Segundo ele, “o projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança”. Lula afirmou que governos de esquerda, ao adotar políticas de austeridade, acabaram “gerenciando as mazelas do neoliberalismo” e permitindo que a extrema-direita se apresentasse como antissistema.
Ele destacou ainda que líderes ultraconservadores souberam canalizar frustrações populares propagando mentiras contra mulheres, negros, imigrantes e comunidade LGBTQIA+. Para Lula, a tarefa da esquerda é “apontar o dedo” para os bilionários que concentram a riqueza global e insistir em políticas que ofereçam trabalho digno, moradia e serviços públicos de qualidade.
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Ataques ao militarismo e defesa de reforma da ONU
Em referência aos membros permanentes do Conselho de Segurança, Lula voltou a chamar seus representantes de “senhores da guerra” e criticou o volume de recursos destinados a armamentos. Ele argumentou que esses valores seriam suficientes para erradicar a fome mundial. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, o gasto militar global ultrapassa US$ 2 trilhões por ano.
O presidente cobrou um multilateralismo reformado capaz de proteger o meio ambiente, combater a fome e restaurar a credibilidade da ONU, corroída, segundo ele, pela irresponsabilidade das grandes potências.
Ameaça golpista e importância da democracia tangível
Lula relembrou que a extrema-direita brasileira planejou um golpe de Estado para impedir sua posse, mencionando tentativas de ataques a autoridades eleitas. Citando o papa Leão XIV, advertiu que a democracia pode se tornar “máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas” se não produzir resultados concretos. “Não é democracia”, disse, quando pais não sabem de onde virá a próxima refeição ou quando cidadãos permanecem horas em filas hospitalares.
Próximos compromissos na Europa
Após a agenda espanhola, o presidente segue para a Alemanha, onde participa da Hannover Messe, maior feira de tecnologia industrial do mundo, que nesta edição homenageia o Brasil. Na sequência, realiza reunião com o chanceler Friedrich Merz. A viagem termina em Portugal, com encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
