Neste domingo no estádio 1º de Maio, em São Bernardo, Lula resgatou sua trajetória sindical e disse sentir emoção maior que em 1979. Ao tirar o chapéu, comentou que não deveria ter feito isso.
Na abertura de sua campanha em busca do quarto mandato como Presidente da República, Lula (PT) discursou em um evento repleto de emoção, relembrando os tempos de líder sindical. O ato ocorreu neste domingo (16), no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, onde, na década de 1970, se dirigiu a multidões como sindicalista.
Durante seu discurso, Lula expressou uma emoção intensa, afirmando que sentia algo ainda mais forte do que em 1979, quando também falou no estádio para os sindicalistas. O presidente, ao tirar o chapéu para as pessoas presentes, comentou que não deveria ter feito isso, pois estava em recuperação de uma radioterapia para tratar um câncer de pele e não poderia se expor ao sol.
O ex-presidente se emocionou ao recordar sua mãe e mencionou a dor de não ter podido comparecer ao enterro de seu irmão em 2019. Ele também relembrou a greve de 41 dias dos metalúrgicos em 1980, destacando as lições políticas que aprendeu durante esse período. Lula afirmou que poderia mentir para “qualquer um, de qualquer país”, mas que nunca mentiria para seus eleitores.
O petista criticou a direita brasileira, atribuindo a ela 400 mil mortes durante a pandemia de Covid-19 e afirmando que seus opositores “deram risada” enquanto pessoas precisavam de oxigênio. Ele também ressaltou que, enquanto seu governo criou dez milhões de empregos, o governo anterior teria gerado apenas dois.
Sobre a transposição do Rio São Francisco, Lula afirmou que conseguiu “fazer a obra que Dom Pedro II queria fazer”. Em relação à educação, ele enfatizou que “investir em educação é mais barato que investir em prisão”, apresentando dados comparativos sobre os custos de um aluno em uma faculdade federal e de um preso.
No que diz respeito à segurança, Lula prometeu prender os grandes líderes do crime organizado e criar um Ministério da Segurança Pública. Ele também comentou sobre a importância da industrialização dos recursos de terras raras, ressaltando que o Brasil não deve exportar o material bruto para países como Estados Unidos, Rússia ou China.
O evento contou com a presença de vários sindicalistas que, antes do discurso de Lula, exibiram um vídeo com depoimentos sobre sua atuação nas décadas de 70 e 80. Entre os presentes estavam o vice Geraldo Alckmin (PSD), a primeira dama Janja da Silva, e o candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT). A cantora Fafá de Belém também participou, cantando o Hino Nacional.
Após a apresentação de Fafá, a deputada federal Benedita da Silva (PT), candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, fez um discurso em apoio ao presidente. Em seguida, Janja se dirigiu ao público, dedicando seu discurso às mulheres e mencionando sua admiração por Marisa Léticia, ex-esposa de Lula, que faleceu em 2017.
Fernando Haddad falou sobre a importância da eleição, afirmando que ela mostrará que o país pertence ao povo e não ao dinheiro. O vice Geraldo Alckmin também discursou, destacando indicadores econômicos que, segundo ele, teriam melhorado e mencionando as indústrias automobilísticas que saíram do Brasil, sendo substituídas por montadoras chinesas.
Antes da entrada de Lula, a candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet, fez críticas contundentes aos discursos conservadores e à oposição. Ela acusou adversários de usarem a fé e o conceito de família em benefício próprio, defendendo que a verdadeira proteção à família brasileira se dá por meio de programas sociais.
