No último dia 29 de maio, durante visita a Sergipe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um contundente apelo pelo respeito à soberania brasileira e criticou declarações de autoridades dos Estados Unidos sobre a classificação de facções criminosas do Brasil como organizações terroristas. As facções mencionadas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), são consideradas por Lula como terroristas, mas somente para as comunidades brasileiras, e não para os EUA.
Segundo o presidente, essa classificação não justifica uma possível intervenção estrangeira. “Comando Vermelho e PCC são terroristas, mas para as comunidades brasileiras. Para a sociedade brasileira e para o povo da periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. São terroristas e vamos combatê-los aqui dentro. [Para isso,] aprovamos uma lei antifacção e a lei de combate ao crime organizado”, afirmou Lula durante sua visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe, localizada em Laranjeiras.
Lula expressou sua tristeza em relação à declaração feita pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e ressaltou que as facções brasileiras não possuem o perfil de terroristas que o governo americano costuma buscar, citando o exemplo de Osama Bin Laden. O presidente também apontou que uma parte significativa do tráfico de armas no Brasil tem origem nos Estados Unidos.
O presidente Lula insistiu na necessidade de respeito por parte das autoridades estadunidenses. “Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Isso aqui [o Brasil] não é um país qualquer. É um país muito grande”, declarou.
Além disso, Lula levantou preocupações sobre a possível cobiça dos EUA pelas riquezas minerais do Brasil, afirmando que o país possui recursos valiosos, como terras raras, ouro e diamante. “Daqui a pouco vão dizer que a Amazônia é deles. Não é”, enfatizou. O presidente lembrou ainda de sua conversa com Donald Trump, onde destacou a importância do respeito mútuo entre as nações.
Ele também reiterou que o Brasil está comprometido no combate às organizações criminosas e que a aprovação da PEC da Segurança Pública irá fortalecer essa luta. No entanto, Lula afirmou que, se os EUA realmente desejam colaborar, o combate ao crime organizado deve incluir ações em território americano. “Entreguei um documento para o Trump dizendo que o Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado. Vamos começar pelo seu estado de Delaware, onde há lavagem de dinheiro de brasileiros”, disse.
“Vamos começar por entregar o [Carlos] Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido por lá. Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustível desse país, que é o Ricardo Magro. Entreguei para o Trump o nome e a foto da casa dele. Quer combater o crime organizado? Entreguem os nossos [criminosos] que estão lá nos EUA”, complementou Lula.
