Lula convoca Poderes para frear feminicídio no país ganhou destaque em 8 de dezembro de 2025, quando o presidente revelou intenção de reunir representantes dos três Poderes e da sociedade civil para traçar um “mutirão educacional” de enfrentamento à violência contra mulheres.
Lula convoca Poderes para frear feminicídio no país
Durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, em Brasília, Luiz Inácio Lula da Silva declarou que quer sentar à mesma mesa com Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, tribunais estaduais, sindicalistas e lideranças religiosas. O encontro, que ele pretende realizar até o fim de 2025, teria como foco ações coordenadas de prevenção e punição ao feminicídio.
“Precisamos transformar indignação em política pública”, afirmou o presidente, referindo-se à série de assassinatos de mulheres que marcou os últimos meses. Entre os episódios citados, Lula lembrou o caso de Tainara Souza Santos, de 31 anos, atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro em São Paulo, em 29 de novembro. A vítima teve as pernas amputadas e segue internada.
Outro crime que motivou a fala presidencial ocorreu no Recife, também no fim de novembro: um homem de 39 anos foi preso em flagrante após incendiar a casa onde estavam a esposa grávida e os quatro filhos do casal.
Dados do Ministério das Mulheres expõem a urgência do tema. Em 2024, 1.459 feminicídios foram registrados, média de quatro mortes por dia. Além disso, o disque-denúncia Ligue 180 contabilizou quase 3 mil atendimentos diários no mesmo período. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de agressão doméstica nos últimos 12 meses.
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Lula reforçou que a mudança de comportamento é responsabilidade dos homens. Para ele, a solução passa obrigatoriamente pela educação nas escolas e pela participação ativa das famílias. A avaliação é compartilhada por organismos internacionais, como a ONU Mulheres, que defende a integração entre políticas públicas e mobilização social para reduzir a violência de gênero.
Na conferência, o presidente também comentou a Proposta de Emenda à Constituição 383/17, que fixa investimento mínimo de 1% da Receita Corrente Líquida no Sistema Único de Assistência Social (Suas). Lula se disse favorável, mas alertou para a necessidade de avaliar o impacto orçamentário. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, endossou a proposta e assinou a criação da Mesa Nacional de Negociação Permanente do Suas, fórum paritário de diálogo com trabalhadores do setor.
Ao encerrar sua participação, Lula prometeu priorizar o combate à violência contra mulheres em sua agenda política, descrevendo-o como desafio nacional que requer articulação federativa e engajamento popular.
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Crédito da imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Fonte: Valter Campanato/Agência Brasil
