Julgamento Marielle Franco: STF inicia segundo dia de análise dos réus O Supremo Tribunal Federal retoma, às 9h, o julgamento dos cinco acusados de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em 2018 no Rio de Janeiro.
Julgamento Marielle Franco: STF inicia segundo dia de análise dos réus
A primeira sessão, realizada na terça-feira (24), concentrou-se na leitura da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e nas sustentações orais das defesas. Agora, coube à Primeira Turma do STF abrir a fase de votos que decidirá pela condenação ou absolvição dos réus.
Sentam-se no banco dos réus o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; o ex-chefe da Polícia Civil fluminense Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto. Todos permanecem em prisão preventiva.
A acusação descreve a prática dos crimes de organização criminosa, duplo homicídio e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora que estava no veículo com Marielle e sobreviveu. Segundo a delação premiada de Ronnie Lessa, autor confesso dos disparos, os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa atuaram como mandantes, enquanto Ronald faria o monitoramento da rotina da vereadora e Robson teria repassado a arma usada no atentado.
Argumentos da defesa
Durante as sustentações orais, o advogado Felipe Dalleprane negou qualquer participação de Rivaldo Barbosa no crime e refutou suposta ingerência política dos Brazão na indicação do ex-delegado para o comando da Polícia Civil.
Cleber Lopes, defensor de Chiquinho Brazão, classificou a delação de Lessa como “criação mental” sem comprovação material. Já o advogado Igor de Carvalho sustentou que Ronald Alves não mantinha relação com Lessa e, portanto, não poderia ter repassado informações sobre a rotina de Marielle.
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Para o advogado Roberto Brzezinski, a denúncia contra Domingos Brazão carece de provas ligadas a disputas fundiárias que teriam motivado o homicídio. Encerrando as manifestações, Gabriel Habib defendeu que o fato de Robson Calixto ser assessor de Domingos não o enquadra, por si só, em organização criminosa.
Linha investigativa
Conforme a investigação conduzida pela Polícia Federal, o assassinato estaria vinculado à posição contrária de Marielle aos interesses políticos e econômicos do grupo chefiado pelos irmãos Brazão, especialmente em áreas dominadas por milícias na capital fluminense.
A PGR sustenta que há “provas robustas” da participação dos cinco acusados, motivo pelo qual pediu a condenação de todos. Familiares de Marielle Franco e de Anderson Gomes acompanharam a sessão e reiteraram o pedido de justiça.
No retorno do julgamento, os ministros da Primeira Turma — que inclui o relator Alexandre de Moraes — irão proferir os votos que podem definir a responsabilização criminal dos réus.
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Crédito da imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
