Maria Eduarda, de 21 anos, morreu após acidente em atividade de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira. Organização amadora e instruções via WhatsApp marcaram o evento com 80 participantes.
Na Ponte do Esqueleto, em Limeira, São Paulo, um trágico acidente ocorreu durante uma atividade de rope jump no último sábado, resultando na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. Testemunhas relataram que a organização do evento era amadora e a comunicação entre os responsáveis era feita por um grupo de WhatsApp chamado “entre cordas”, onde eram compartilhadas dicas sobre como gravar vídeos com potencial de viralização nas redes sociais.
Segundo o coordenador pedagógico Rafael Goulart, que estava presente na atividade, cerca de 80 turistas participavam do evento. Ele revelou que os participantes descobriram apenas após a tragédia que o grupo responsável pelos saltos não possuía registro formal. “Essa empresa, na verdade, não existe. Eles não tinham registro, não tinham CNPJ”, afirmou Goulart.
“A gente acabou caindo numa operação que tinha 80 mil seguidores e vídeos com milhões de visualizações. Depois que a desgraça acontece, a gente começa a olhar para trás e perceber o quanto eles eram desorganizados”, disse Goulart.
De acordo com Goulart, a equipe responsável pelos saltos costumava destacar conteúdos que haviam viralizado nas redes sociais e orientava os participantes sobre quais elementos ajudavam a aumentar o alcance das publicações. Em um dos áudios enviados ao grupo, uma integrante da organização menciona que muitas pessoas buscavam a atividade devido à repercussão dos vídeos.
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“Tem gente que procura a gente por causa da viralização. Porque quer viralizar o vídeo”, afirmou a integrante.
Goulart também destacou que, embora informações de segurança fossem passadas aos participantes, a impressão era de que a responsabilidade por eventuais acidentes recaía sobre eles. “Eles passavam informações de segurança, mas sempre jogando a responsabilidade para a gente”, disse Goulart, acrescentando que a realidade foi oposta: a jovem foi lançada da ponte sem estar presa ao equipamento de segurança.
A Polícia Civil informou que Maria Eduarda deveria estar conectada a duas cordas, mas nenhuma delas foi instalada. Além disso, o coordenador pedagógico levantou a questão do desaparecimento de uma câmera GoPro que estava com a jovem no momento do acidente. Algumas testemunhas afirmaram ter visto membros da equipe retirando o equipamento do corpo da vítima após a queda.
“Se até aquele momento a câmera estava com ela, por que a câmera simplesmente sumiu e ninguém soube mais dela?”, questionou Goulart.
A Polícia Civil investiga o paradeiro do equipamento e a hipótese de que ele possa ter sido levado por pessoas que deixaram a área logo após o acidente. O caso de Maria Eduarda, que ocorreu no dia 13, está sendo tratado como homicídio com dolo eventual, e três funcionários responsáveis pela operação permanecem presos. Goulart defende que a tragédia sirva como um alerta para a necessidade de regulamentação dessa atividade no país.
