Israel não consegue destruir Hezbollah, aponta especialista militar brasileiro Israel não consegue destruir o Hezbollah, de acordo com a avaliação do capitão de mar e guerra da reserva Robinson Farinazzo, presidente do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (Gsec). O oficial considera que a recente onda de bombardeios israelenses, responsável pela morte de pelo menos 303 pessoas em um único dia, carece de eficácia estratégica e busca sobretudo pressionar a população civil libanesa.
Bombardeios sem efeito estratégico
Farinazzo observa que as estruturas do Hezbollah são amplamente dispersas e camufladas, o que reduz a precisão dos ataques de Tel-Aviv. “É difícil saber se estão realmente atingindo os equipamentos do grupo”, afirmou o militar, acrescentando que, apesar do discurso oficial, as Forças de Defesa de Israel (IDF) não dispõem de capacidade para eliminar a organização xiita.
Para ele, a insistência na narrativa da “destruição total” pode refletir o desgaste político do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e a preocupação com um possível recuo norte-americano no conflito. Reportagens da BBC já destacaram que o Hezbollah sustenta poder de fogo considerável desde a guerra de 2006, fator que complica qualquer ofensiva definitiva.
Dificuldade de manter posição no Rio Litani
O governo israelense ameaçou ocupar uma faixa de 30 quilômetros em território libanês, até o Rio Litani, transformando-a em zona-tampão. Segundo Farinazzo, mesmo que a incursão aconteça, mantê-la seria custoso: “Chegar ao Litani não é impossível; o problema é ficar. O Exército israelense já sofre baixas expressivas, e a resistência local tornaria a permanência insustentável”.
Cessar-fogo frágil e escalada regional
Em 7 de abril de 2026, Estados Unidos e Irã anunciaram cessar-fogo de duas semanas. No dia seguinte, Israel intensificou os ataques, levando Teerã a ameaçar abandonar as negociações. Diante da violação, o Hezbollah retomou disparos contra alvos israelenses e alegou ter destruído mais de 100 tanques desde 2 de março.
O secretário-geral do Hezbollah, Sheikh Naim Qassem, declarou que a mobilização de 100 mil soldados israelenses “se transformará em corpos”, caso a ofensiva terrestre avance. Israel, por sua vez, exige o desarmamento total do grupo, criado nos anos 1980 durante a ocupação israelense no Líbano.
Estreito de Ormuz e risco global
Farinazzo também analisou o impacto das tensões no Estreito de Ormuz. Para ele, forçar a abertura da rota marítima por meios convencionais seria inviável: “Só com uma bomba nuclear. Qualquer frota que tente entrar será alvo fácil de minas ou mísseis de cruzeiro”. O oficial lembra que navios norte-americanos já sofreram danos no Mar Vermelho e que o risco seria maior em Ormuz.
Na visão do especialista, a via diplomática permanece como “solução menos ruim”, pois até mesmo o envolvimento da Otan não garantiria sucesso militar contra o Irã e seus aliados. Ele alerta que um confronto direto poderia causar danos irreversíveis aos Estados Unidos.
Os comentários de Robinson Farinazzo reforçam o cenário de impasse na região, em que superioridade tecnológica não se traduz necessariamente em vitória estratégica. Para acompanhar outros desdobramentos sobre conflitos internacionais, visite a editoria Internacional do nosso portal.
Crédito da imagem: Reuters/Raghed Waked
Fonte: Agência Brasil
