Irmãos Brazão mandantes do assassinato de Marielle, diz Moraes — A denúncia que apura quem planejou a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes ganhou novo peso após o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmar que as provas reunidas “não deixam dúvidas” de que Domingos e João Francisco Brazão foram os mandantes do crime.
Relator destaca provas “contundentes” contra o grupo
No relatório apresentado perante a Primeira Turma, Moraes frisou que laudos, depoimentos e a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa formam um conjunto probatório sólido. O ministro mencionou que Lessa, autor confesso dos disparos, indicou os irmãos Brazão e o então chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, como articuladores da execução.
Também são réus o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula, apontado como responsável por monitorar a rotina da vereadora, e o ex-policial militar Robson Calixto, acusado de fornecer a arma usada no atentado. Todos permanecem presos preventivamente.
Motivação ligada a grilagem e controle de territórios
Segundo o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentado por Moraes, a principal atividade do grupo era a exploração ilegal de áreas na zona oeste do Rio de Janeiro. O documento aponta que milícias transformavam esses loteamentos em redutos eleitorais, fortalecendo politicamente os Brazão. Em troca do homicídio, Domingos e João Francisco teriam oferecido a Ronnie Lessa parcelas desses terrenos como pagamento.
Para o relator, o histórico de denúncias feitas pelo então deputado estadual Marcelo Freixo, desde 2008, corrobora a ligação dos irmãos com milicianos. A atuação de Marielle Franco, figura de destaque na oposição a essa estrutura, teria motivado a ordem para eliminá-la.
Interferência na investigação original
Moraes recordou que Rivaldo Barbosa assumiu o comando da Polícia Civil fluminense na véspera dos assassinatos e, no dia seguinte, nomeou Giniton Lages para chefiar a Delegacia de Homicídios da capital. Conforme a PGR, o delegado tentou forçar o ex-PM Orlando de Oliveira Araújo a confessar o crime e, diante da recusa, fabricou provas para incriminá-lo — indícios que, para o ministro, reforçam a tentativa de encobrir a autoria intelectual.
Durante a sessão, o presidente da Turma, ministro Flávio Dino, ressaltou que o STF julgará o caso de forma “estritamente técnica e jurídica”, sem ceder a pressões externas. O posicionamento foi respaldado por Moraes, que concluiu: “Domingos Inácio Brazão e João Francisco Inácio Brazão devem ser integralmente responsabilizados; Ronald atuou como partícipe, e Rivaldo, como auxiliador dos mandantes”.
Mais detalhes do julgamento podem ser conferidos no site oficial do Supremo Tribunal Federal (STF), onde os votos e relatórios são disponibilizados na íntegra.
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Crédito da imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
