Irã desafia Estados Unidos ao manter o regime intacto, atacar bases americanas no Oriente Médio e restringir o Estreito de Ormuz, numa estratégia que, segundo o major-general português Agostinho Costa, coloca Teerã na condução da guerra prolongada contra Washington.
Pressão no Estreito de Ormuz ameaça mercado de petróleo
A parcial interrupção da navegação no Estreito de Ormuz, rota de grande parte do petróleo mundial, amplia o impacto econômico do conflito. A Guarda Revolucionária Iraniana, ao controlar a passagem, eleva o risco de crise energética e pressiona governos ocidentais. De acordo com o general Costa, a manobra reforça a “iniciativa iraniana” e limita a margem de reação dos EUA.
Analistas internacionais, como os consultados pela agência Reuters, apontam que qualquer bloqueio prolongado pode elevar rapidamente os preços do barril de petróleo.
Análise identifica falhas na estratégia norte-americana
Agostinho Costa sustenta que a ofensiva lançada pelos Estados Unidos partiu do pressuposto de que o poder de fogo iraniano sofreria degradação rápida. A dispersão de equipamentos balísticos em um território de 1,6 milhão de km² teria frustrado esse cálculo. “O objetivo de derrubar o regime em poucos dias não se concretizou”, afirmou o militar à Agência Brasil.
Para Costa, bases norte-americanas em pelo menos 12 países do Golfo Pérsico foram atacadas cirurgicamente, forçando Washington a operar a partir de porta-aviões, Israel e possivelmente Chipre. O deslocamento de caças sobre longas distâncias exige reabastecimento a mais de 700 km de Teerã, dificultando a sustentação das missões.
Sistema de satélites chinês amplia a precisão iraniana
Segundo o general, a China teria concedido ao Irã acesso à constelação de satélites BeiDu, proporcionando imagens em tempo real e maior precisão nos ataques. “Os EUA não conseguem neutralizar essa rede”, disse Costa, justificando a efetividade dos mísseis e drones iranianos sobre alvos estratégicos.
Mesmo sem impor perdas significativas a Israel, Teerã teria usado armamento de gerações mais antigas, preservando mísseis hipersônicos para possível escalonamento. O objetivo, explica o especialista, é esgotar estoques israelenses de interceptadores e expor vulnerabilidades do sistema de defesa.
Capacidade de prolongar o confronto permanece incerta
Costa estima que a Casa Branca enfrenta limitações militares, econômicas e políticas para sustentar o conflito além de quatro semanas, prazo que, segundo ele, seria aceitável para o ex-presidente Donald Trump. Documentos internos mencionados por veículos como The Washington Post e Wall Street Journal alertariam para potenciais problemas de munição em combates extensos.
O Irã, por sua vez, aposta em duas frentes principais: expulsar forças americanas do Golfo e impor derrota estratégica a Israel para reduzir futuras ameaças. A utilização de lanchas rápidas armadas com mísseis demonstra adaptação após a perda de navios maiores, dificultando a ação de marinhas rivais no Golfo Pérsico.
No campo diplomático, tentativas iniciais de reabertura de negociações foram rapidamente descartadas por Teerã. Declarações contraditórias de Washington reforçam, na visão de Costa, a percepção de incerteza sobre os próximos passos dos EUA.
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Crédito da imagem: Majid Asgaripour/WANA via Reuters
Fonte: Agência Brasil
