Intervenção na Venezuela seria catástrofe humanitária, alerta Lula marcou o discurso do presidente brasileiro na reunião do Mercosul, em 20 de dezembro, quando ele advertiu que qualquer ação militar dos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro poderia desencadear uma crise sem precedentes no hemisfério.
Escalada militar dos EUA no Caribe gera tensão
Tropas norte-americanas cercam o Mar do Caribe, alegando combate ao narcotráfico, e bloquearam a navegação de petroleiros venezuelanos, vitais para a economia do país. Desde setembro, pelo menos 25 abordagens resultaram em 95 mortes, segundo dados do Palácio do Planalto. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a operação continuará “até que devolvam todo o petróleo, terras e outros bens que nos roubaram”.
Especialistas em direito internacional, como os consultados pelo Human Rights Watch, alertam que sanções prolongadas podem agravar a crise social e humanitária já instalada na Venezuela.
Lula defende solução diplomática
No pronunciamento, Lula declarou que “os limites do direito internacional estão sendo testados” e classificou a possível intervenção como “precedente perigoso”. Ele revelou ter conversado por telefone com Maduro e Trump para oferecer mediação brasileira e evitar confronto armado na América do Sul, região que compartilha extensa fronteira com o Brasil.
O presidente brasileiro questionou interesses ocultos na ofensiva norte-americana: “Não pode ser apenas a derrubada de Maduro. Quais são os interesses outros que ainda não se sabe?”. Lula também orientou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a permanecer disponível para negociações emergenciais.
Risco de crise humanitária
Analistas ouvidos pelo Itamaraty avaliam que uma intervenção poderia provocar deslocamentos em massa, escassez de alimentos e colapso dos serviços básicos em todo o norte da América do Sul. Para Lula, a memória do conflito das Malvinas, há mais de quatro décadas, reforça a necessidade de contenção: “O continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional”.
Enquanto Washington mantém o bloqueio marítimo, Caracas busca apoio de aliados na Organização das Nações Unidas para denunciar violação de soberania. A comunidade internacional monitora o impasse, temendo que uma escalada militar afete rotas comerciais de petróleo e a estabilidade regional.
Nesse contexto, Lula propôs “negociar sem guerra” e prometeu novo contato com a Casa Branca antes do Natal, reforçando que o Brasil está disposto a dialogar “com todos os lados” para preservar a paz no Cone Sul.
O futuro do impasse ainda é incerto, mas a declaração de Lula acende alerta sobre os custos humanos de uma ofensiva armada no Caribe. Para acompanhar mais análises sobre o cenário internacional, acesse nossa editoria de Internacional e continue informado.
Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
