Levantamento do Ipea indica aceleração da inflação em setembro, impulsionada por tarifas de energia, alimentos em casa e passagens aéreas. Domicílios com renda abaixo de R$2.299,82 tiveram a maior alta.
A inflação acelerou em setembro em todas as faixas de renda no Brasil, segundo levantamento divulgado na quarta-feira, 28 de setembro, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O avanço foi puxado principalmente pelo aumento das tarifas de energia elétrica, dos alimentos consumidos em casa e das passagens aéreas. Na pesquisa, denominada Indicador de Inflação por Faixa de Renda, as famílias de menor poder aquisitivo registraram a maior alta dos preços.
Nos domicílios com rendimento mensal inferior a R$ 2.299,82 (classificados como muito baixos), a inflação chegou a 0,94% em setembro. Já aqueles com renda superior a R$ 22.998,22 (renda mais alta) registraram variação de 0,72%. A diferença entre os grupos está ligada à composição dos gastos: eletricidade e alimentação representam uma parcela maior do orçamento das famílias de renda mais baixa.
A conta de luz ficou 8% mais cara com o fim do desconto proporcionado pelo Bônus de Itaipu, aplicado em agosto. O Bônus de Itaipu é um desconto temporário na conta de luz, financiado por recursos excedentes da comercialização da energia produzida pela usina.
Entre os alimentos consumidos em casa, pressionaram a inflação os aumentos nos tubérculos, com destaque para a batata (alta de 18,9% para o grupo), nos cereais (2,5%) e nas carnes (0,63%). Parte dessas altas foi compensada por quedas nos preços de aves e ovos (1,7%), café moído (1,1%) e hortaliças (0,27%).
Para os consumidores de renda mais elevada, os transportes exerceram maior influência sobre o indicador: as passagens aéreas subiram 9,7%, enquanto os combustíveis tiveram aumento de 1,4%. Esses movimentos contribuíram para a reversão da deflação de 0,34% registrada em agosto, resultando em inflação de 0,72% em setembro.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a faixa de renda baixa apresentou a maior inflação, de 4,18%. O menor índice nesse período foi registrado entre as famílias de renda média-alta, com 3,73%. Já no período de 12 meses, os domicílios de renda muito baixa tiveram a menor variação, de 4,22%, enquanto os de renda alta registraram a maior, de 5,03%.
O grupo de saúde e cuidados pessoais praticamente não influenciou a inflação das famílias de menor renda em setembro, resultado favorecido pela redução de 0,38% nos preços dos produtos de higiene pessoal.
Os dados do Ipea mostram que as trajetórias de preços seguem diferenciadas entre as faixas de renda, refletindo tanto a composição dos gastos domésticos quanto choques pontuais em tarifas e serviços que pesaram mais sobre alguns grupos do que sobre outros.
