Carla Lemos diz que foi agredida com socos, tranças puxadas e corte no supercílio na Fundição Progresso. A advogada afirma que o suspeito, Lucas Braz, saiu da delegacia rindo; defesa não foi localizada.
A influenciadora Carla Lemos afirmou ter sido agredida por um homem durante uma roda de samba na Lapa, no Rio de Janeiro, na última quinta-feira, 7. Em relato publicado nas redes sociais, Carla descreveu que levou socos, teve suas tranças puxadas e sofreu um corte no supercílio.
O agressor, identificado como Lucas Henrique Baldusca Braz, teria deixado a delegacia rindo e debochando, conforme relato da advogada de Carla, Thaiz Sardinha. A equipe de reportagem busca contato com a defesa de Braz.
O incidente ocorreu durante o samba Independente dos Bons Costumes, na Fundição Progresso. Carla estava no local com amigos e foi ao banheiro quando dois homens se aproximaram do grupo. Ela relatou que um deles estava cambaleando e esbarrava nas pessoas ao redor.
Em seu relato, Carla pediu a um dos homens que se afastasse, pois ele estava caindo sobre ela. Nesse momento, a roda de samba foi interrompida e uma mulher no palco alertou que o local não tolerava assédio ou qualquer tipo de violência.
Após esse alerta, Carla disse que só se recorda das agressões. O homem a empurrou e desferiu socos em seu rosto e testa. “A partir daí, eu só lembro de violência”, escreveu.
Outras pessoas que estavam no local se aproximaram para ajudar Carla. Ela ouviu uma cantora no palco avisar que uma mulher estava sendo agredida e sangrava. Ao olhar para a própria mão, notou que estava com sangue.
Conforme Carla, mais de cinco homens tiveram que retirar o agressor de cima dela. Ela ressaltou que a violência foi direcionada exclusivamente a ela, mesmo sem ter interagido previamente com o agressor. “Ele concentrou a violência dele em mim”, declarou.
Carla foi levada ao ambulatório e, em seguida, à delegacia. Posteriormente, foi encaminhada ao Hospital Municipal Souza Aguiar, onde recebeu seis pontos no supercílio. Após o atendimento médico, retornou à delegacia para prestar depoimento.
O caso foi registrado na 5ª DP (Mem de Sá), na Lapa. Segundo a influenciadora, autoridades informaram que o caso não se enquadrava na Lei Maria da Penha, uma vez que ela não conhecia o agressor. “Isso é misoginia em sua forma mais pura. E precisa ser tipificado como tal”, escreveu.
Carla também revelou que perdeu um trabalho que faria na manhã seguinte, já que sua profissão depende da sua imagem. “Agora seguem os trâmites legais, e me resta ter alguma fé na Justiça”, comentou.
A advogada de Carla, Thaiz Sardinha, relatou que, enquanto aguardavam na delegacia, o homem ria e fazia gestos com o celular, como se estivesse se filmando. Em determinado momento, ele pediu a um policial para ir ao banheiro e, ao retornar, passou por Carla, “virou para ela e mandou beijo sorrindo”.
Para a advogada, o comportamento do agressor reforça a ideia de menosprezo por Carla, devido ao seu gênero, caracterizando elementos de violência de gênero. Thaiz contestou a classificação do episódio como uma “briga generalizada”. Segundo ela, a delegada que atuava remotamente afirmou que não havia elementos suficientes para caracterizar o caso como violência de gênero.
“Falei que não se tratava de briga generalizada, foi uma briga pontual e única”, afirmou. A advogada acrescentou que a cantora que presenciou o ocorrido compareceu à delegacia e relatou que a agressão envolveu apenas duas pessoas.
Thaiz também ressaltou que Carla sofreu uma série de socos, teve o cabelo puxado e precisou da ajuda de cinco pessoas para que o homem fosse retirado de cima dela. Segundo a advogada, “em momento nenhum a delegada pediu a visualização das imagens do local” para averiguar as circunstâncias do ocorrido.
Carla foi encaminhada para exame de corpo de delito. De acordo com a advogada, no IML, o perito observou o rosto da influenciadora, perguntou o que havia ocorrido e registrou a agressão como ferimento leve. Posteriormente, Carla relatou dores no couro cabeludo, no peito e no tórax, recebendo atendimento médico de emergência em uma UPA. A médica identificou lesões, incluindo um caroço na cabeça, e solicitou exame de raio-X.
O samba Independente dos Bons Costumes divulgou uma nota de solidariedade a Carla, destacando que prestaram apoio à influenciadora desde o primeiro momento. “Nossa roda de samba foi interrompida, o público e os seguranças foram alertados no microfone e Carla foi trazida ao palco para sua segurança”, afirmou a organização do evento.
