Hezbollah surpreende Israel com 103 ataques em 24 h e pressiona EUA
Hezbollah surpreende Israel ao anunciar 103 operações em apenas um dia na fronteira sul do Líbano, enquanto milícias xiitas no Iraque exigem a retirada das tropas norte-americanas, ampliando a pressão sobre Israel e Estados Unidos em meio ao conflito com o Irã.
Ofensiva libanesa multiplica frentes de combate
De acordo com informes do próprio Hezbollah, quase 100 tanques Merkava teriam sido destruídos desde o início da atual escalada. A intensidade dos disparos de foguetes, drones e mísseis mantém as Forças de Defesa de Israel divididas entre o norte do país e a Faixa de Gaza, comprometendo a concentração de meios terrestres e aéreos.
Milícias no Iraque desafiam presença norte-americana
No Iraque, o gabinete do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani autorizou as Forças de Mobilização Popular (FMP) a atuarem em legítima defesa, depois que um ataque matou 15 combatentes na cidade de Habbaniyah. A Resistência Islâmica no Iraque, que congrega várias facções pró-Irã, assumiu a autoria de investidas contra bases militares e contra a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá.
O governo iraquiano convocou o encarregado de negócios norte-americano e apresentou um protesto formal, reforçando o discurso de que a permanência de tropas estrangeiras deixou de ser aceitável. A representação diplomática dos EUA emitiu novo alerta de segurança, recomendando que nenhum cidadão tente chegar à embaixada ou ao consulado em Erbil.
Especialistas veem vantagem estratégica do Irã
Para Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC Minas, a reativação da frente libanesa dilui a capacidade militar israelense, enquanto o avanço político das milícias iraquianas, caso resulte na saída dos EUA, fortalece o eixo pró-Teerã. Ele afirma que a “resiliência iraniana” indica um custo elevado para qualquer incursão terrestre ou naval contra o país persa.
O major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica, sustenta que Teerã exibe “vantagem estratégica” ao combinar mísseis balísticos, enxames de drones e embarcações rápidas armadas com mísseis antinavio. Segundo ele, essas táticas têm neutralizado parte do poder aéreo de Israel e dos Estados Unidos.
Defesa aérea israelense sob pressão constante
Tel Aviv afirma interceptar cerca de 90 % dos projéteis disparados pelo Hezbollah e pelo Irã. Contudo, Zahreddine pondera que os 10 % restantes já atingem alvos estratégicos, prejudicando infraestrutura e exigindo reposição acelerada de sistemas antimísseis. Costa acrescenta que falhas pontuais obrigam Israel a escolher “o que defender e o que deixar passar”.
Drones FPV e tática de saturação
Analistas europeus observam que o Hezbollah incorporou drones FPV — aeronaves de baixo custo controladas em primeira pessoa — capazes de atingir pontos vulneráveis dos blindados Merkava. Essa inovação tecnológica, aliada ao lançamento maciço de foguetes de curto alcance, tem dificultado a tentativa israelense de avançar até o Rio Litani, limite que Tel Aviv promete ocupar.
Capacidade ofensiva de Teerã permanece intacta
Mesmo após quase um mês de bombardeios sobre posições iranianas, Zahreddine destaca que Teerã realizou 86 levas de mísseis e drones contra alvos israelenses. Muitos desses projéteis são lançados de túneis subterrâneos, que se abrem e fecham em poucos segundos, reduzindo a janela de reação para as forças adversárias.
Informes da agência Reuters apontam que o Irã mantém canais logísticos para reabastecer tanto o Hezbollah quanto as milícias iraquianas, reforçando o contato operacional entre as frentes.
O cenário descrito por militares e acadêmicos sugere um impasse crescente para Washington e Tel Aviv, enquanto Teerã amplia sua influência regional por meio de aliados capazes de operar em múltiplas frentes.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
