Venezuela chama apreensão de petroleiro dos EUA de pirataria — O governo de Caracas qualificou como “roubo descarado” a captura, na quarta-feira (10 de dezembro de 2025), de um navio venezuelano carregado com 1,1 milhão de barris de petróleo em águas internacionais por forças militares dos Estados Unidos.
Venezuela chama apreensão de petroleiro dos EUA de pirataria
Reação oficial de Caracas
Em nota, o Palácio de Miraflores afirmou que a operação evidencia “um plano deliberado de saque” das riquezas energéticas do país. A declaração cita a recente autorização judicial norte-americana para a venda da Citgo, filial da estatal PDVSA, tomada por Washington em 2019. “Este novo ato criminoso soma-se ao roubo da Citgo, patrimônio estratégico de todos os venezuelanos”, diz o texto.
A vice-presidente Delcy Rodríguez reforçou a denúncia em rede social, classificando a ação como “ilícito internacional” e prometendo recorrer a instâncias multilaterais para exigir a devolução do petroleiro.
Pronunciamento de Trump e imagens da operação
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a apreensão e declarou que o navio “ficará” sob posse norte-americana, sem detalhar procedimentos legais. Um vídeo de 45 segundos, difundido por canais oficiais, mostra dois helicópteros aproximando-se da embarcação enquanto militares armados descem por cordas até o convés.
Possível bloqueio naval
Para o pesquisador Ronaldo Carmona, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a ação representa um passo rumo a um bloqueio naval destinado a estrangular as receitas de exportação venezuelanas. “Após a criação de uma zona de exclusão aérea, a interceptação no mar agrava o risco de militarização da América do Sul”, avaliou.
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Embargo e reservas de petróleo
A Venezuela, detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, enfrenta embargo econômico dos EUA desde 2017. Durante a campanha eleitoral de 2023, Trump admitiu ter considerado a apropriação de todo o petróleo venezuelano. Analistas apontam que a atual escalada visa forçar uma mudança de regime em Caracas, que mantém estreitas relações com China, Rússia e Irã — rivais de Washington.
Contexto internacional
Relatório recente da Casa Branca sobre segurança nacional reafirma a intenção de manter “proeminência” na América Latina. Segundo especialistas, a apreensão do petroleiro — que já fez os preços internacionais do barril subirem — confirma essa diretriz. A agência Reuters noticiou que a cotação do Brent avançou cerca de 4 % logo após o anúncio da operação.
Com o episódio, o governo Maduro reforça o discurso de que “não é migração, narcotráfico, democracia ou direitos humanos” o motivo da pressão norte-americana, mas sim o controle das riquezas energéticas venezuelanas.
Para acompanhar mais análises sobre a crise regional, visite nossa editoria de Internacional e continue informado.
Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
