O monarca, internado desde 17 de agosto, recebia cortisona para anemia hemolítica e tratava infecção na corrente sanguínea. O palácio havia informado estado muito grave; Haakon, 53, sucede ao trono.
O rei Harald V, da Noruega, morreu aos 89 anos nesta sexta-feira (28), informou a Casa Real. No trono havia mais de três décadas; ele era o monarca mais velho da Europa. Com a morte de Harald, o príncipe herdeiro Haakon, de 53 anos, assumiu como novo rei do país.
Harald estava internado desde 17 de agosto no Hospital Universitário de Oslo. Recebia tratamento com cortisona para anemia hemolítica e também havia apresentado uma infecção bacteriana no sangue. Na quinta-feira (27), o palácio informou que seu estado era considerado muito grave.
muito grave
A rainha Sonja, Haakon e outros integrantes da família real foram ao hospital após o agravamento do quadro. O príncipe herdeiro já havia assumido a regência durante o afastamento do pai, exercendo compromissos oficiais em seu lugar.
Harald ocupava o trono desde 1991. Nos últimos anos, porém, passou a reduzir a agenda por problemas de saúde. Em 2024, recebeu um marca-passo depois de passar mal durante uma viagem à Malásia. Naquele ano, anunciou que diminuiria o número de compromissos, mas descartou abdicar.
Com a morte de Harald, Haakon passou a ocupar formalmente o trono e sua filha mais velha, Ingrid Alexandra, tornou-se princesa herdeira e primeira na linha de sucessão. O novo rei já vinha substituindo o pai em compromissos oficiais e exerceu a regência em diferentes ocasiões durante os afastamentos de Harald.
Haakon tem formação em ciência política pela Universidade da Califórnia em Berkeley e mestrado em estudos de desenvolvimento pela London School of Economics. Em 1995, concluiu a formação na Academia Naval Real da Noruega e participou de um programa do Ministério das Relações Exteriores voltado à preparação de diplomatas.
Haakon é o segundo filho de Harald e nasceu dois anos depois da irmã, Märtha Louise. Mesmo sendo mais novo, tornou-se herdeiro quando o pai assumiu o trono, em 1991, porque as antigas regras sucessórias davam preferência aos homens. A Constituição havia sido modificada em 1990 para estabelecer a prioridade do filho mais velho independentemente do sexo, mas a mudança não teve efeito retroativo. A regra atual já se aplica aos descendentes de Haakon, razão pela qual Ingrid Alexandra ocupa agora o primeiro lugar na sucessão.
A transição ocorre em meio a um período de debate público sobre a monarquia no país. Pesquisa divulgada em fevereiro mostrou queda no apoio à manutenção da monarquia — havia 61% a favor, ante 72% no ano anterior — enquanto 27% defendiam a adoção de uma república. No Parlamento, contudo, uma tentativa de substituir o regime teve pouco apoio: dos 169 deputados, 141 votaram contra a mudança para uma república.
A família real também enfrentou polêmicas recentes. Entre os episódios estão revelações sobre contatos mantidos por Mette-Marit, mulher de Haakon, com Jeffrey Epstein; a princesa posteriormente pediu desculpas a Harald e Sonja e reconheceu ter demonstrado falta de julgamento.
falta de julgamento
Outro episódio envolvendo parentes próximos trouxe repercussão: Marius Borg Høiby, filho de Mette-Marit de relacionamento anterior e que não integra oficialmente a família real, foi condenado a quatro anos de prisão por duas acusações de estupro. Ele negou as acusações mais graves e recorreu da decisão. Mette-Marit também enfrentou problemas de saúde e passou por um transplante de pulmão em junho deste ano após anos de tratamento contra uma forma rara de fibrose pulmonar.
Harald tornou-se rei após a morte de seu pai, Olav V, em 1991, e permaneceu no trono até a morte. Como chefe de Estado de uma monarquia constitucional, exercia funções principalmente representativas, enquanto o poder político permanecia nas mãos do governo e do Parlamento. A atual monarquia norueguesa remonta à independência do país em relação à Suécia, em 1905, quando um plebiscito decidiu pela manutenção do regime monárquico.
Com a morte de Harald, Haakon passa a comandar uma instituição que atravessa sua primeira sucessão em 35 anos, em um momento de tensão política e discussões públicas sobre o futuro da Coroa no país.
