Guerra no Líbano mata ou fere uma sala de aula de crianças por dia
Guerra no Líbano mata ou fere uma sala de aula de crianças por dia, alerta o vice-diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Ted Chaiban, ao detalhar o custo humano do conflito iniciado em 2 de março. Dados oficiais do Ministério da Saúde libanês indicam 111 menores mortos e 334 feridos em ataques israelenses desde o envolvimento do Hezbollah na ofensiva regional, o que equivale a quase 30 vítimas infantis diariamente.
Unicef vê impacto devastador na rotina dos menores
Em entrevista concedida recentemente em Beirute, Chaiban afirmou que “uma turma de escola é dizimada a cada dia” pela violência. Segundo ele, o número de vítimas infantis no Líbano soma-se a cerca de 1.200 mortes de crianças em todo o Oriente Médio no mesmo período—quase 200 no Irã, quatro em Israel e uma no Kuwait.
Chaiban enfatizou que o primeiro passo para proteger os menores é “uma redução da tensão e um caminho político” que contenha o avanço dos combates. Israel sustenta que não mira civis de forma deliberada e que emite avisos antes dos bombardeios, concedendo tempo para evacuação.
Deslocamento e colapso educacional
Os ataques israelenses já resultaram em mais de 900 mortos no Líbano desde o início de março e provocaram a retirada de mais de 1 milhão de pessoas, entre elas 350 mil crianças, de acordo com números libaneses. Muitas famílias buscaram abrigo em escolas públicas, o que acentuou a interrupção do calendário acadêmico.
A crise educacional não é recente. Alunos que hoje frequentam a rede pública sofreram perdas de aprendizado consecutivas: o colapso financeiro de 2019, a explosão do porto de Beirute em 2020 e a pandemia de covid-19 em 2021 já haviam comprometido a continuidade das aulas. Agora, escolas convertidas em abrigos e o deslocamento em massa agravam ainda mais o desafio. “Sem casa, sem escola, sem senso de normalidade”, resumiu Chaiban.
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O Unicef defende a manutenção de atividades pedagógicas, presenciais ou remotas, para impedir um retrocesso irreversível. A agência também reforça a necessidade de apoio psicológico e espaços seguros para que as crianças recuperem alguma rotina em meio ao conflito. Informações adicionais sobre o trabalho humanitário podem ser acessadas no portal da Unicef, referência global em proteção à infância.
Apelo por solução diplomática urgente
Entidades internacionais têm reiterado pedidos por negociações que encerrem a escalada bélica. Para Chaiban, o custo humano ultrapassa fronteiras e ameaça toda a geração de crianças da região. Ele lembra que cada dia sem trégua amplia o número de desalojados, amplia a crise de aprendizagem e aprofunda traumas psicológicos difíceis de reverter.
Se a violência persistir, organizações humanitárias temem a ampliação de surtos de doenças, déficit nutricional e a perda de anos letivos inteiros. Além disso, a destruição de infraestrutura escolar e hospitalar compromete serviços essenciais a longo prazo.
O conflito no Líbano, portanto, representa um desafio humanitário que exige respostas rápidas tanto no campo político quanto no apoio direto às vítimas. O futuro de milhares de crianças depende da interrupção imediata das hostilidades e da reconstrução de condições básicas de vida.
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Crédito da imagem: Reuters/Ahmad Al-Kerdi
Fonte: Reuters/Ahmad Al-Kerdi
