O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel relacionada à disputa presidencial de 2026. A declaração foi feita em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (22).
A pesquisa havia sido questionada pelo PL, que argumentou que o questionário induzia respostas desfavoráveis ao senador Flávio Bolsonaro ao associá-lo ao caso de Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Gilmar Mendes comentou:
“Eu acho que um caso como esse vai parar no Supremo Tribunal Federal. Se se mantiver essa jurisprudência, Kassio Nunes Marques, certamente não é uma jurisprudência que irá se manter”.
A análise da decisão pelo plenário do TSE foi interrompida após um pedido de vista da ministra Estela Aranha, e a suspensão da pesquisa permanece válida até nova deliberação da Corte.
Durante a entrevista, Mendes também se referiu a uma “impropriedade” e a um “erro crasso” no relato do ministro André Mendonça, que afirmou ter sido procurado por um advogado de Daniel Vorcaro com uma proposta de “delação seletiva” no caso que investiga o Banco Master. Gilmar argumentou que o acordo de colaboração premiada deve ser estabelecido entre o Ministério Público ou a Polícia Federal e o investigado, com a presença de seus advogados.
“Então, aqui já há algo de erro crasso. Se está participando de conversas ou se está expulsando advogados do processo, isso tem algo de errado”,
afirmou.
Essa declaração ocorre após um embate entre Gilmar Mendes e André Mendonça no julgamento de medidas cautelares relacionadas à prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Mendonça havia rejeitado uma proposta de “delação seletiva” no caso. Gilmar Mendes, sem criticar diretamente a condução do ministro, destacou que a investigação deve seguir uma “métrica” para evitar a repetição de erros do passado, fazendo referência à Operação Lava Jato.
Gilmar Mendes também criticou o momento escolhido pelo presidente do STF, Edson Fachin, para propor a discussão sobre um código de ética para os ministros da Corte. Ele acredita que o tema deveria ter sido tratado por uma comissão interna do tribunal, com maior articulação entre os integrantes do Supremo.
“Aguardemos, não sejamos tão pressurosos. Eu falei isso para o Fachin, na época”,
disse.
O ministro ainda mencionou que o presidente do STF tem a responsabilidade de conduzir o tribunal e decidir o momento adequado para adotar tais medidas. Mendes negou que sua resistência ao código de ética tenha um caráter pessoal contra Fachin. Ele destacou que o Supremo estava sob ataque na época da discussão e que a proposta expôs o tribunal em um momento de vulnerabilidade pública.
Por fim, Gilmar Mendes foi questionado sobre a transparência das agendas dos ministros do STF e a divulgação de rendimentos obtidos fora do tribunal. Ele afirmou que sua agenda é pública e não vê problemas na divulgação de valores recebidos por magistrados em palestras e eventos.
