Propostas variam: tempo integral, revisão dos métodos de alfabetização, formação de professores, disciplina e ligação do ensino médio ao técnico. Desafios: alfabetizar cedo, ampliar ensino técnico e elevar aprendizagem.
Os candidatos à Presidência apresentam caminhos diferentes para enfrentar problemas centrais da educação brasileira. Entre as propostas mais citadas estão ampliar o ensino em tempo integral, mudar métodos de alfabetização, investir na formação de professores, criar regras mais rígidas de disciplina e aproximar o ensino médio da formação profissional. Apesar das diferenças nas estratégias, há desafios que reaparecem em muitos programas: alfabetizar na idade certa, ampliar o ensino técnico e melhorar a aprendizagem.
Com as eleições de outubro no horizonte, as promessas se acumulam. A principal questão, porém, para quem acompanha a rotina da escola é saber quais medidas têm chance real de funcionar na prática — levando em conta contexto social, recursos e a estrutura das redes de ensino.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- ampliar a educação em tempo integral
- alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade adequada
- fortalecer o Pé-de-Meia
- ampliar ações de formação e valorização dos professores
- continuar a expansão dos institutos federais e das universidades
- instituir uma estratégia nacional de recomposição da aprendizagem
Flávio Bolsonaro (PL)
- priorizar o método fônico
- vincular repasses a metas de aprendizagem
- ampliar escolas cívico-militares
- criar vouchers para matrícula na rede privada quando faltarem vagas públicas
- expandir a educação técnica
- levar robótica, computadores, tablets e internet às escolas
- criar formação continuada de professores baseada em evidências
Augusto Cury (Avante)
- criar ações de proteção à saúde emocional de estudantes e educadores
- ampliar o acolhimento de pessoas neurodivergentes
- transformar a sala de aula em um espaço mais participativo
- incluir Gestão da Emoção, Educação Financeira e Empreendedorismo no currículo
- ampliar o ensino integral com oratória e debates
- reforçar integração entre ensino médio, técnica, universidades e empresas
- ampliar investimentos em pesquisa, startups e registro de patentes
Renan Santos (Missão)
- criar um código nacional de conduta para estudantes
- estabelecer sanções para casos de indisciplina
- ampliar escolas cívico-militares em áreas de alta criminalidade
- substituir cotas por bolsas de mérito
- direcionar mais recursos do ensino superior para STEM
- adotar ranqueamento das escolas mais violentas
Ronaldo Caiado (PSD)
- universalizar a pré-escola
- ampliar creches para famílias vulneráveis
- garantir alfabetização e fundamentos de matemática até o segundo ano
- criar estratégias de recomposição da aprendizagem
- expandir o ensino em tempo integral
- elevar exigências de qualidade dos cursos de licenciatura
- ampliar a educação técnica e profissional
Romeu Zema (Novo)
- ampliar creches e pré-escolas com parcerias privadas
- revisar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
- incluir a educação infantil nas avaliações de qualidade
- ampliar o ensino integral
- vincular o Pé-de-Meia ao desempenho dos estudantes
- regulamentar o homeschooling
- reformular critérios de progressão na carreira docente
- ampliar cursos técnicos e profissionalizantes
Na avaliação do pós-doutor em Direito e ex-conselheiro do Conselho Nacional de Educação Tiago Tondinelli, políticas educacionais precisam combinar evidências com a realidade concreta das escolas. Ele ressalta que estudos e avaliações servem de guia, mas não podem ser tratados como receitas prontas: fatores políticos, orçamentários e jurídicos também interferem na implantação de medidas.
“Não se pode ficar simplesmente refém de dados objetivos, mas, ao mesmo tempo, não se pode desprezá-los”
Tondinelli cita o PIRLS, avaliação internacional de leitura do 4º ano, e lembra que o Brasil participou do programa em 2019 durante a gestão de Carlos Nadalim na Secretaria de Alfabetização do Ministério da Educação. Para o especialista, os dados não resolvem sozinhos os problemas; é preciso combiná-los com o contexto social, econômico e cultural de cada rede.
A formação de professores aparece como prioridade nas avaliações: Tondinelli defende treinamentos com práticas que apresentem resultados comprovados e que sejam adaptáveis à realidade local. Ele também aponta a execução municipal como ponto crítico, já que redes têm autonomia parcial, mas dependem fortemente de recursos federais e de apoio técnico para escolhas pedagógicas consistentes.
“Majorou-se o índice de alfabetização esperado?”
Para o especialista, avaliar gastos públicos na educação exige mais do que confirmar que o dinheiro foi gasto dentro das regras: é preciso medir se o investimento produziu melhora efetiva na aprendizagem. O debate entre propostas segue centrado em como transformar intenções em políticas viáveis dentro das escolas e das redes.






