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Leitura: Como os candidatos querem transformar a educação brasileira em 2026
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Política

Como os candidatos querem transformar a educação brasileira em 2026

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 06/09/2026
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Como os candidatos querem transformar a educação brasileira em 2026
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Propostas variam: tempo integral, revisão dos métodos de alfabetização, formação de professores, disciplina e ligação do ensino médio ao técnico. Desafios: alfabetizar cedo, ampliar ensino técnico e elevar aprendizagem.

Os candidatos à Presidência apresentam caminhos diferentes para enfrentar problemas centrais da educação brasileira. Entre as propostas mais citadas estão ampliar o ensino em tempo integral, mudar métodos de alfabetização, investir na formação de professores, criar regras mais rígidas de disciplina e aproximar o ensino médio da formação profissional. Apesar das diferenças nas estratégias, há desafios que reaparecem em muitos programas: alfabetizar na idade certa, ampliar o ensino técnico e melhorar a aprendizagem.

Com as eleições de outubro no horizonte, as promessas se acumulam. A principal questão, porém, para quem acompanha a rotina da escola é saber quais medidas têm chance real de funcionar na prática — levando em conta contexto social, recursos e a estrutura das redes de ensino.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

  • ampliar a educação em tempo integral
  • alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade adequada
  • fortalecer o Pé-de-Meia
  • ampliar ações de formação e valorização dos professores
  • continuar a expansão dos institutos federais e das universidades
  • instituir uma estratégia nacional de recomposição da aprendizagem

Flávio Bolsonaro (PL)

  • priorizar o método fônico
  • vincular repasses a metas de aprendizagem
  • ampliar escolas cívico-militares
  • criar vouchers para matrícula na rede privada quando faltarem vagas públicas
  • expandir a educação técnica
  • levar robótica, computadores, tablets e internet às escolas
  • criar formação continuada de professores baseada em evidências

Augusto Cury (Avante)

  • criar ações de proteção à saúde emocional de estudantes e educadores
  • ampliar o acolhimento de pessoas neurodivergentes
  • transformar a sala de aula em um espaço mais participativo
  • incluir Gestão da Emoção, Educação Financeira e Empreendedorismo no currículo
  • ampliar o ensino integral com oratória e debates
  • reforçar integração entre ensino médio, técnica, universidades e empresas
  • ampliar investimentos em pesquisa, startups e registro de patentes

Renan Santos (Missão)

  • criar um código nacional de conduta para estudantes
  • estabelecer sanções para casos de indisciplina
  • ampliar escolas cívico-militares em áreas de alta criminalidade
  • substituir cotas por bolsas de mérito
  • direcionar mais recursos do ensino superior para STEM
  • adotar ranqueamento das escolas mais violentas

Ronaldo Caiado (PSD)

  • universalizar a pré-escola
  • ampliar creches para famílias vulneráveis
  • garantir alfabetização e fundamentos de matemática até o segundo ano
  • criar estratégias de recomposição da aprendizagem
  • expandir o ensino em tempo integral
  • elevar exigências de qualidade dos cursos de licenciatura
  • ampliar a educação técnica e profissional

Romeu Zema (Novo)

  • ampliar creches e pré-escolas com parcerias privadas
  • revisar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
  • incluir a educação infantil nas avaliações de qualidade
  • ampliar o ensino integral
  • vincular o Pé-de-Meia ao desempenho dos estudantes
  • regulamentar o homeschooling
  • reformular critérios de progressão na carreira docente
  • ampliar cursos técnicos e profissionalizantes

Na avaliação do pós-doutor em Direito e ex-conselheiro do Conselho Nacional de Educação Tiago Tondinelli, políticas educacionais precisam combinar evidências com a realidade concreta das escolas. Ele ressalta que estudos e avaliações servem de guia, mas não podem ser tratados como receitas prontas: fatores políticos, orçamentários e jurídicos também interferem na implantação de medidas.

“Não se pode ficar simplesmente refém de dados objetivos, mas, ao mesmo tempo, não se pode desprezá-los”

Tondinelli cita o PIRLS, avaliação internacional de leitura do 4º ano, e lembra que o Brasil participou do programa em 2019 durante a gestão de Carlos Nadalim na Secretaria de Alfabetização do Ministério da Educação. Para o especialista, os dados não resolvem sozinhos os problemas; é preciso combiná-los com o contexto social, econômico e cultural de cada rede.

A formação de professores aparece como prioridade nas avaliações: Tondinelli defende treinamentos com práticas que apresentem resultados comprovados e que sejam adaptáveis à realidade local. Ele também aponta a execução municipal como ponto crítico, já que redes têm autonomia parcial, mas dependem fortemente de recursos federais e de apoio técnico para escolhas pedagógicas consistentes.

“Majorou-se o índice de alfabetização esperado?”

Para o especialista, avaliar gastos públicos na educação exige mais do que confirmar que o dinheiro foi gasto dentro das regras: é preciso medir se o investimento produziu melhora efetiva na aprendizagem. O debate entre propostas segue centrado em como transformar intenções em políticas viáveis dentro das escolas e das redes.

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