Delegações do G20 em Atlanta evitaram posar com o ministro russo Sergey Lavrov, e os EUA cancelaram a tradicional foto oficial dos chanceleres. O gesto evidencia resistência ocidental à reaproximação com Moscou.
Vários países do G20 se recusaram a posar ao lado do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, e isso levou os Estados Unidos a cancelar a tradicional foto oficial dos chanceleres. O episódio ocorreu em Atlanta, nesta sexta-feira, durante a preparação para a reunião do bloco.
A decisão de não participar da fotografia evidencia a resistência de governos ocidentais à reaproximação com Moscou defendida pelo presidente Donald Trump. Representantes de uma parte significativa dos membros do grupo optaram por não registrar uma imagem conjunta com o chefe da diplomacia russa.
O jornal britânico The Guardian relatou que delegações da União Europeia, do Reino Unido e da Austrália rejeitaram a foto conjunta. Esses países, que somam cerca de um terço dos participantes, argumentaram que seria inadequado mostrar sinais de normalidade nas relações com a Rússia enquanto a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, segue afetando a Europa.
A explicação do chanceler alemão, Johann Wadephul, foi direta: segundo a reportagem, ele disse que não haveria fotografia dos representantes europeus ao lado de Lavrov porque as relações com Moscou não foram normalizadas. A ministra australiana Penny Wong, por meio de porta-voz, também condenou a invasão russa, conforme apurado.
O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, ressaltou que o país evita esse tipo de aproximação há anos. O chanceler polonês, Radosław Sikorski, avaliou que a situação reflete a dificuldade em obter consensos entre países envolvidos em conflitos.
Questões sobre quem participa ou não do encontro influenciaram a composição das reuniões: a Ucrânia, que em outras ocasiões compareceu como observadora, não foi convidada desta vez. A África do Sul, membro fundador do G20, também ficou de fora por divergências com Washington; a porta-voz Phindile Kunene, do chanceler sul-africano Ronald Lamola, afirmou que a ausência não foi voluntária.
Na abertura dos trabalhos, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu a cooperação entre os países diante das crises econômicas e geopolíticas. Mesmo com a recusa e o boicote a representantes russos, as reuniões prosseguiram neste sábado, 31, como parte dos preparativos para a cúpula de líderes do G20, prevista para dezembro em Miami.
