O médico e líder ruralista de 76 anos volta à disputa presidencial com foco no agronegócio e na segurança pública. Propõe classificar organizações criminosas na chamada 'Lei do Terrorismo Doméstico'.
O médico e líder ruralista Ronaldo Caiado, 76 anos, disputará a Presidência da República pela segunda vez. Conhecido por pautas conservadoras e por sua ligação com o agronegócio, o presidenciável apresenta um plano de governo estruturado em quatro frentes para tentar subir a rampa do Palácio do Planalto.
Na área de segurança pública, Caiado promete endurecer as políticas de combate ao crime organizado. A principal medida apresentada pelo candidato é a criação de uma Lei do Terrorismo Doméstico para classificar organizações criminosas que dominam grandes extensões do território brasileiro. O presidenciável também defende maior atuação das Forças Armadas e quer implementar uma integração policial entre os países da América do Sul nas regiões fronteiriças ao Brasil.
Em relação à economia, Caiado propôs um plano fiscal chamado “Governo Eficiente” com a meta de “equilibrar as contas, cortar desperdícios e respeitar o dinheiro público”. O candidato se comprometeu a “dar segurança” aos setores agropecuário, comercial e industrial, além de apoiar pequenos empreendedores. Saúde e educação também foram colocadas como prioridade no programa apresentado.
“Eu vim com esse objetivo de pacificar o Brasil. Ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente, estarei dando uma amostra de que, a partir dali, irei cuidar das pessoas”
Quando teve a sua pré-candidatura ao Planalto oficializada, Caiado prometeu anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e as pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. O candidato argumentou que pretende reduzir a polarização política do país e afirmou que a divisão vigente não é um traço natural da política nacional.
“Posso afirmar a todos vocês que não é um traço da política nacional. É sustentada por um projeto por aqueles que realmente se beneficiam dela. Pode ser desativada, sim, por alguém que não faz parte dela”
Mudança de partido e articulação interna marcam a caminhada de Caiado até a indicação. Um dos primeiros a se colocar como pré-candidato ainda em 2025, ele enfrentou resistência no então União Brasil e optou por se filiar ao PSD em 14 de março para disputar o pleito. Após articulações internas, a pré-candidatura foi anunciada em 30 de março, com aval da legenda após a desistência de outros nomes.
Fontes do PSD disseram que a decisão de apoiar a candidatura de Caiado surpreendeu parte da bancada na Câmara dos Deputados, que relatou não ter sido consultada antes da definição e esperava alternativa considerada uma terceira via. A bancada também afirmou que a escolha foi tomada pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, e por dirigentes influentes da sigla.
Em 1º de julho, Caiado anunciou Kassab como seu vice. A chapa foi oficializada em 26 de julho, na Convenção Nacional do PSD.
Formado em medicina com especialização em ortopedia e traumatologia, Caiado iniciou sua atuação política na década de 1980 ao ingressar na União Democrática Ruralista (UDR) e ganhou projeção nacional ao encabeçar, em 1987, uma manifestação em defesa da propriedade. Em 1989 disputou a Presidência pelo antigo Partido Democrático Social e obteve 488.893 votos, terminando em 10º lugar. No segundo turno daquela eleição, declarou apoio a Fernando Collor.
Ele foi eleito deputado federal por Goiás em 1990 e permaneceu por cinco mandatos, tornando-se uma referência da bancada ruralista. Em 2014 foi eleito senador e, posteriormente, venceu a eleição para governador de Goiás no primeiro turno, apoiando a candidatura de Jair Bolsonaro naquele pleito. Durante a pandemia, rompeu com o ex-presidente ao adotar medidas sanitárias mais rígidas no estado. Reeleito em 2022 também no primeiro turno, deixou o cargo de governador em 31 de março com avaliação positiva: segundo pesquisa Genial/Quaest, registrava 87% de aprovação em Goiás.
Filho de Edenval Ramos Caiado e Maria Xavier Caiado, Ronaldo nasceu em 25 de setembro de 1949, em Anápolis (GO) e integra uma família tradicional goiana com forte presença no agronegócio e influência política. É neto de Antônio Ramos Caiado, o Totó Caiado. O avô do presidenciável foi um dos mais conhecidos coronéis.
