No X, o senador Flávio Bolsonaro publicou print com números de óbitos Yanomami (2023-2025) e perguntou: 'Já pode chamar de genocida?'. O comentário reacende debate sobre a gestão das mortes indígenas.
Uma publicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, reacendeu o debate sobre a gestão das mortes na Terra Yanomami. Na sexta-feira, 21, o parlamentar compartilhou no X um print de reportagem que apresenta números de óbitos indígenas registrados entre 2023 e 2025, acompanhando a manchete com um questionamento direto.
“Já pode chamar de genocida?”
O comentário remete ao termo que foi frequentemente usado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19, quando críticos apontaram falhas na condução da crise sanitária. Na publicação, o parlamentar fez alusão explícita a esse rótulo ao lado dos dados citados sobre mortes na Terra Yanomami.
Segundo os números citados na matéria compartilhada, entre 2023 e 2025 foram registrados 1.121 óbitos entre indígenas na Terra Yanomami, com base em dados do Ministério da Saúde enviados ao Congresso. Esse total supera os 951 óbitos apontados no mesmo período da gestão anterior.
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A reportagem também indicou que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, buscou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, para uma missão conjunta ao território Yanomami, com o objetivo de monitorar a situação.
Em resposta à publicação, o governo contestou a análise e qualificou a divulgação como equivocada. Em nota enviada, a gestão classificou o conteúdo como
“grave a divulgação de análises inverídicas”
De acordo com a posição oficial, entre 2019 e 2022 houve piora na assistência à saúde no território, subnotificação de doenças e mortes, além de fechamentos e destruição de unidades de saúde que deixaram comunidades sem atendimento. A atual gestão afirmou ter ampliado o atendimento desde 2023, intensificado diagnósticos e reforçado a vigilância epidemiológica.
O Executivo também informou diferença nos números ao comparar períodos específicos: afirmou que as mortes indígenas caíram 29,5% na comparação entre o primeiro semestre de 2023 e o mesmo período de 2026, passando de 224 para 158. A nota acrescentou que, nesse intervalo, as mortes por malária foram zeradas, os óbitos por desnutrição diminuíram 75,7% e as mortes por infecção respiratória aguda caíram 40,8%.
O compartilhamento do print e o questionamento público pelo senador voltaram a trazer para o centro do debate político e público o tema da situação sanitária e humanitária na Terra Yanomami, com trocas de versões entre críticas e contestações oficiais.

