Como senador pelo Rio, Flávio se apresenta nas eleições de 2026 como representante da família Bolsonaro. Filho mais velho de Jair, construiu carreira na Alerj e ampliou sua influência nacional.
Flávio Nantes Bolsonaro chega às eleições de 2026 como o representante da família Bolsonaro na disputa pela Presidência da República. Senador pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar construiu uma trajetória política de mais de duas décadas que começou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e o levou ao Senado, ampliando seu papel na articulação nacional do bolsonarismo.
Nascido no Rio de Janeiro em 30 de abril de 1981, Flávio é formado em Direito e tem especializações em políticas públicas e empreendedorismo. Sua carreira pública começou cedo: em 2002, aos 21 anos, foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro, iniciando uma sequência de quatro mandatos consecutivos na Alerj.
Na estreia eleitoral recebeu pouco mais de 31 mil votos. Nas eleições seguintes, a votação subiu: cerca de 43 mil votos em 2006, 58 mil em 2010 e mais de 160 mil em 2014. Na Alerj, parte importante de sua atuação ficou concentrada em segurança pública, bandeira política também muito associada ao pai.
A primeira tentativa por um cargo no Executivo foi em 2016, quando concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSC e ficou fora do segundo turno, com aproximadamente 424 mil votos, o que representou cerca de 14% dos votos válidos.
Em 2018, no contexto da ascensão nacional de Jair Bolsonaro, Flávio deixou a Assembleia para disputar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro. Foi o candidato mais votado no estado: cerca de 4,38 milhões de votos, pouco mais de 31% dos votos válidos.
A chegada ao Senado coincidiu com a eleição do pai à Presidência e colocou Flávio em posição central na política nacional. Ao lado dos irmãos Carlos e Eduardo, passou a integrar o núcleo político mais próximo do então presidente, embora mantenha perfil próprio. No Congresso, assumiu papel de interlocutor com parlamentares e dirigentes partidários e se consolidou como uma das vozes na defesa do legado político da família. Ao longo do tempo, acompanhou mudanças partidárias e se filiou ao PL, partido que se tornou a principal estrutura do bolsonarismo.
Sua trajetória foi marcada também pelo chamado caso das “rachadinhas”, relacionado ao período em que era deputado estadual. A investigação teve origem em movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj. O senador negou irregularidades. O processo passou por disputa judicial sobre a validade e a forma de obtenção das provas, que acabaram anuladas, e o caso foi posteriormente arquivado sem julgamento do mérito das acusações.
A candidatura presidencial coloca Flávio diante do maior desafio de sua carreira: disputar diretamente o comando do Executivo federal e transformar a identificação com o sobrenome em uma candidatura nacional própria. O sobrenome é ao mesmo tempo seu principal ativo político e um elemento central da campanha, que busca manter junta a base construída pelo ex-presidente, especialmente entre eleitores conservadores e setores que priorizam segurança pública, oposição ao PT e pautas econômicas liberais.
Além de resgatar propostas do governo Bolsonaro em áreas como educação — defesa do método fônico na alfabetização e vouchers para creches — a campanha apresenta medidas próprias, como remuneração de estudantes de bom desempenho para atuar em reforço escolar, mudanças no Fies, ampliação do ensino técnico e incorporação de robótica e inteligência artificial ao currículo.
Pesquisas divulgadas em agosto mostram Flávio consolidado entre os principais candidatos à Presidência, mas ainda atrás de Lula em cenários de primeiro turno. A distância varia conforme o instituto, e alguns cenários de segundo turno indicam disputa mais apertada. Aos 45 anos, depois de quatro mandatos na Alerj e de chegar ao Senado com mais de quatro milhões de votos, o senador tenta agora testar se o capital eleitoral construído pelo pai pode ser transferido para uma candidatura presidencial própria.
