O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quarta-feira, 21, uma petição na qual autorizou a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico relativos aos últimos 20 anos. O documento, dirigido ao ministro André Mendonça, condicionou, porém, a liberação desses dados à divulgação simultânea de informações sobre familiares e pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de registros de despesas do governo federal.
A manifestação incluiu os familiares de Flávio mencionados pelo adversário e quatro empresas das quais o senador é sócio ou administrador, e prevê a divulgação dos dados no sistema DivulgaCandContas. O pedido também tratou de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
“O senador também não se opõe ao levantamento do sigilo de todas as mensagens que trocou com o banqueiro Daniel Vorcaro. TODAS”
O documento foi apresentado como uma autorização condicionada: a petição deixa claro que a sua entrega não significa que os registros passaram a ser públicos automaticamente. A defesa classificou a proposta lançada pelo presidente como insuficiente e argumentou que a divulgação restrita apenas aos registros pessoais do adversário não esclareceria suspeitas sobre patrimônio e relações com terceiros.
“promessa vazia”
“para inglês ver”
“demagogia barata”
A peça de defesa citou investigações como a Operação Lava Jato, o caso do Banco Master e apurações sobre fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) como fundamento para ampliar o alcance pedido na abertura dos sigilos. No texto, também consta a frase:
“Não existe meia honestidade, nem meia explicação”
Dentre as condições apresentadas, a petição solicita autorizações individuais para acessar os sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, incluindo registros telefônicos e telemáticos dos últimos oito anos, além de dados bancários e fiscais. O documento exigiu ainda informações sobre empresas dos filhos de Lula, sociedades no exterior e o Instituto Lula, pedindo que parte desses registros comece em 2003, no primeiro mandato do petista.
Sobre o caso do Banco Master, houve pedido para divulgação de registros da reunião entre Lula e Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024, e das entradas do banqueiro e de intermediários nos Palácios do Planalto e da Alvorada. A petição também listou nomes e apurações relacionadas às fraudes do INSS, citando entre eles a empresária Roberta Luchsinger, e reivindicou abertura de dados sobre José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, e o sindicato de aposentados do qual ele é vice-presidente.
No capítulo de gastos públicos, a manifestação cobrou a divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, a agenda da vice-primeira-dama Janja da Silva anterior a fevereiro de 2025, e informações sobre visitas de familiares, uso de helicóptero e despesas do Palácio da Alvorada. Ao final, a petição pediu que Lula fosse intimado a apresentar autorizações e documentos, e afirmou que o senador entregaria as informações solicitadas assim que as condições fossem cumpridas pelo adversário.
Durante agenda em Guarulhos (SP), ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio respondeu ao desafio. Segundo o registro da agenda, ele criticou a iniciativa e afirmou não ver consistência no pedido lançado pelo adversário.
“Ele fez um desafio fake pra mim. O Lula nem tem celular, como é que ele quer abrir o sigilo telefônico dele?”
“Não só vou aceitar o desafio, como eu vou levar até as últimas consequências.”
“Abro o sigilo do meu telefone, mas o Marcola tem que abrir o dele.”
