Em Guarulhos, Flávio Bolsonaro afirmou (21) que abrirá seus sigilos bancário e telefônico e levará a iniciativa até o fim. Ele pediu que Marco Aurélio 'Marcola' também divulgue os registros.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aceitou o desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de abrir os sigilos bancário e telefônico durante um ato de campanha em Guarulhos (SP), nesta quarta-feira, 21. O parlamentar afirmou que pretende levar a iniciativa até o fim e cobrou que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, também divulgue seus registros.
O evento ocorreu no Espaço Inter e reuniu lideranças do grupo político do senador em São Paulo. Foi apontado como o último ato de campanha no Estado antes do segundo turno, marcado para o próximo domingo, 25.
Em seu discurso, Flávio insistiu na comparação entre sua vida pública e a do presidente e de familiares do mandatário. Ele afirmou manter o patrimônio regularizado junto à Justiça Eleitoral e à Receita Federal e destacou a origem de seus recursos.
Só que eu não só vou aceitar o desafio, como eu vou levar até às últimas consequências
Agora, segura aí, marginal.
O senador também disse que Lula não usa celular e que Marcola receberia as ligações destinadas ao presidente. Flávio voltou a mencionar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e questionou a evolução dos negócios do empresário, citando contrato de R$ 132 milhões que, segundo ele, teriam sido firmados com o governo federal.
Porque o meu patrimônio foi construído com muito suor, muito trabalho
Desde os 18 anos eu trabalho. Com muito esforço, suor e meu trabalho, diferente dos filhos dele, pessoal
Lula, não me confunda com seu filho
Eu sou filho do Bolsonaro. Eu não sou um ladrão igual ao seu filho.
Flávio condicionou a abertura de seus próprios dados à divulgação de informações sobre familiares do presidente e entidades ligadas a ele. Em seu discurso, ele citou o Instituto Lula e uma alegação envolvendo pagamento de R$ 30 milhões ligada à produção de um filme, atribuindo essa informação a declarações que teriam sido feitas por Marcola.
Então, Lula, eu vou até o fim, Lula. Para eu abrir minhas contas, você tem que abrir as contas da sua família, do Instituto Lula, que o Marcola falou que deu 30 milhões por fora para fazer o seu filme
O senador também pediu esclarecimentos sobre supostas estruturas financeiras no exterior ligadas a Lulinha e questionou a divulgação de registros relacionados ao cartão corporativo e às visitas ao Palácio da Alvorada, além de mencionar a primeira-dama, Janja, ao cobrar a divulgação desses dados.
Sobre Marcola, o texto registrado no ato lembrou que ele chefiou o gabinete de Lula durante parte do mandato e que deixou o cargo em 21 de julho deste ano, com justificativa oficial de participação na campanha à reeleição do presidente. A reportagem mencionou que, em outro momento, teriam surgido pagamentos ligados a uma lobista com relação ao ex-chefe de gabinete.
É esse Marcola que abria as portas para o Lulinha, filho dele, fazer negócios com todos os ministérios.
Então eu abro meu sigilo de telefone, sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda?
Durante o ato, Flávio também citou o sítio de Atibaia e questionou a titularidade do imóvel, afirmando: “O sítio de Atibaia é de quem? É do Lula”, e apontou que o imóvel estaria em nome de Fernando Bittar. As declarações foram feitas no contexto da campanha e das críticas dirigidas ao presidente no segundo turno.

