O fim da jornada 6×1, aprovado pela Câmara dos Deputados na noite da última quarta-feira, 27 de maio, trouxe reações divergentes entre trabalhadores e empresários. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) celebrou a decisão como uma “vitória histórica da classe trabalhadora”, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a medida como “inadequada e inoportuna”.
A CUT destacou que a aprovação representa uma das principais reivindicações do movimento sindical nas últimas décadas. Segundo a entidade, a conquista é resultado da mobilização das centrais sindicais, pressão de movimentos sociais e negociação direta com parlamentares. Em nota, a CUT convocou os trabalhadores a continuarem a luta para pressionar o Senado a dar sequência à tramitação da proposta.
“Uma eventual redução da jornada de trabalho por imposição legal, sem transição adequada e sem ganho equivalente de produtividade, tende a elevar custos e pressionar preços de produtos e serviços”, destacou a CNI em sua avaliação.
A CNI argumenta que mudanças dessa natureza deveriam ser tratadas por meio de negociações coletivas, em vez de uma regra constitucional uniforme. A entidade acredita que é essencial considerar os impactos sobre trabalhadores, empresas e a economia brasileira de forma equilibrada e responsável.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também se manifestou contrária à aprovação, afirmando que a votação foi influenciada por interesses eleitorais e que a medida pode anular décadas de acordos coletivos, ferindo a Constituição e a segurança jurídica. Para a Fiesp, houve um rompimento abrupto de contratos vigentes, o que pode prejudicar a liberdade de negociação entre patrões e empregados.
Por outro lado, centrais sindicais como a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) celebraram a aprovação e consideraram a medida uma conquista histórica, ressaltando o compromisso do governo federal em apoiar a pauta. De acordo com as entidades, a nova jornada poderá melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, proporcionando mais tempo para a família e lazer.
A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Vania Marques, enfatizou que a aprovação da PEC é um reconhecimento de que a vida não deve ser apenas trabalho.
Ela destacou que a redução da jornada deve ocorrer sem cortes salariais, respeitando quem produz e sustenta o país. A Contag atribui essa conquista à mobilização popular e à pressão dos sindicatos e movimentos sociais.
No setor agropecuário, a reação foi negativa. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) estima que a aprovação da PEC pode gerar um custo adicional de R$ 4,1 bilhões ao agronegócio paranaense, afetando toda a cadeia produtiva. A Faep argumenta que a proposta, ao não considerar as particularidades de cada atividade, comprometerá a eficiência do setor.
