Fim da escala 6×1: Boulos rejeita compensação a empresas
Fim da escala 6×1 mobilizou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que, em audiência pública na comissão especial da Câmara realizada em 13 de maio de 2026, classificou como “sem razoabilidade” qualquer proposta de compensação financeira às empresas para aprovar a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais.
Ministro questiona lógica de “bolsa patrão”
Boulos lembrou que, quando o salário mínimo é reajustado, não há subsídio às corporações. Para ele, o mesmo princípio deve valer na mudança da jornada. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam impacto econômico comparável ao de um aumento real do mínimo, argumento usado pelo ministro para rejeitar a ideia de “bolsa patrão”.
Relatos de quem viveu a escala 6×1
Rick Azevedo, fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e vereador no Rio de Janeiro, relatou ter passado 12 anos em supermercados, farmácias e call centers sob a escala 6×1. “Passei anos sem me sentir gente”, afirmou, defendendo a adoção imediata do modelo 5×2 — dois dias de descanso consecutivos.
PEC e projeto de lei caminham juntos
Na mesma sessão, deputados e ministros acordaram que a Proposta de Emenda à Constituição incluirá o descanso de dois dias e a carga semanal de 40 horas. Um projeto de lei, a ser votado em regime de urgência, ajustará pontos específicos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e contemplará categorias com regimes especiais.
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Pontos ainda em debate
O presidente da comissão especial, deputado Alencar Santana (PT-SP), informou que seguem abertas as discussões sobre eventual período de transição e possíveis compensações às empresas. A intenção é concluir esses detalhes antes que o texto avance ao plenário.
Com a pressão de movimentos sociais e de parte do governo, a extinção da escala 6×1 ganhou força, colocando no centro do debate a saúde e a dignidade dos trabalhadores.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
