O filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, está se tornando uma “comédia de erros” antes mesmo de seu lançamento, segundo o jornal britânico Financial Times. A reportagem, publicada na última segunda-feira, 25 de maio de 2026, destaca que a produção, protagonizada por atores americanos, foi impactada por um escândalo político envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Flávio Bolsonaro se viu no meio de uma polêmica ao ser acusado de pedir dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Essa revelação abalou as intenções de voto do parlamentar em Brasília. O filme, que retrata a ascensão de Bolsonaro, conta com o ator Jim Caviezel no papel principal, e no trailer, ele faz uma declaração polêmica: “Para os estrangeiros, para os ambientalistas, para os pedófilos de Hollywood. Este país não é deles. É nosso”.
O lançamento do longa-metragem foi planejado para coincidir com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, que está concorrendo ao cargo enquanto seu pai cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. A reportagem do Financial Times ressalta que a origem da controvérsia está no investimento de aproximadamente US$ 24 milhões que Flávio negociou com Vorcaro. O Banco Master enfrentou um colapso em meio a alegações de fraudes bilionárias.
O senador admitiu ter se encontrado com o banqueiro no final do ano passado, mas negou qualquer irregularidade: “Fui encontrá-lo para pôr um fim a essa história. Se ele tivesse me avisado que a situação era tão grave, eu teria procurado outro investidor muito antes”, afirmou Flávio.
Além do desgaste de imagem, o Financial Times aponta que o desempenho de Flávio nas pesquisas eleitorais caiu, colocando-o atrás do presidente Lula (PT). Apesar das crises enfrentadas, o ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, afirmou que pretende promover o filme nos Estados Unidos. Bannon acredita que a produção pode “animar nosso povo aqui nos EUA para garantir que tenhamos eleições livres e justas”, considerando que o longa pode alcançar um público maior do que as propagandas políticas tradicionais de televisão.
O roteiro do filme, que vazou recentemente, mistura temas religiosos, mensagens antissistema e representações de momentos reais, como o atentado que Bolsonaro sofreu em 2018. A expectativa em torno do filme continua, mesmo com os desafios e controvérsias que cercam sua produção.
