Extradição de Carla Zambelli: defesa recorre à Corte de Cassação A extradição de Carla Zambelli voltou ao centro do debate jurídico após seus advogados apresentarem recurso na instância máxima do Judiciário italiano, contestando a entrega da ex-deputada ao Brasil.
Extradição de Carla Zambelli: defesa recorre à Corte de Cassação
A equipe que representa a ex-parlamentar protocolou, na última sexta-feira (10 de abril), um recurso na Corte de Cassação italiana. O objetivo é anular a decisão da Corte de Apelação, que havia autorizado a extradição no mês anterior. Segundo o advogado Fábio Pagnozzi, o documento levanta supostas irregularidades processuais, questiona as condições do sistema carcerário brasileiro e aponta críticas à condução do ministro Alexandre de Moraes no processo que resultou na condenação de Zambelli.
De acordo com Pagnozzi, “desde o início, apontamos falhas no processo, tanto na ausência de correspondência do crime de hackeragem na legislação italiana quanto na forma como o pedido de extradição foi formalizado”. A defesa sustenta que os delitos atribuídos à cliente não encontram tipificação similar no ordenamento jurídico local, argumento que, se aceito, poderia inviabilizar a entrega.
A Corte de Cassação é a última instância possível na Itália. Conforme as normas do país, o julgamento pode demorar até seis meses. Caso os magistrados confirmem a extradição, o Ministério da Justiça italiano terá a palavra final sobre o retorno de Zambelli ao Brasil.
Entenda o caso que levou ao pedido de extradição
Carla Zambelli foi presa em julho de 2025, em Roma, enquanto buscava escapar de um mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com cidadania italiana, a ex-deputada viajou ao país europeu em busca de asilo político depois de ser sentenciada a 10 anos de reclusão pelo STF. A Corte brasileira concluiu que ela foi a mentora intelectual da invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.
As investigações apontaram que o hacker Walter Delgatti, também condenado, emitiu um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes a mando de Zambelli. O episódio motivou o governo brasileiro a solicitar oficialmente a extradição da ex-parlamentar.
Com o recurso agora submetido, a defesa espera que a mais alta corte italiana reveja pontos como proporcionalidade da pena, supostas fragilidades probatórias e condições de custódia no sistema prisional do Brasil. Enquanto o processo tramita, Zambelli permanece detida em Roma.
O desfecho do caso poderá estabelecer novo precedente sobre cooperação jurídica entre Brasil e Itália, sobretudo em pedidos de extradição que envolvem crimes cibernéticos e figuras públicas.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
