Extradição de Carla Zambelli é negada pela Itália; ex-deputada livre — A Corte de Cassação da Itália rejeitou, em 22 de maio de 2026, o pedido do governo brasileiro para extraditar a ex-deputada Carla Zambelli, permitindo que ela deixe a prisão e responda ao processo em liberdade.
Extradição de Carla Zambelli é negada pela Itália; ex-deputada livre
O mais alto tribunal italiano concluiu que houve falhas nas decisões anteriores que autorizavam a extradição da parlamentar, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de reclusão por envolvimento na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023. Com a nova determinação, Zambelli poderá permanecer na Itália enquanto aguarda o desfecho definitivo do processo.
Logo após deixar a penitenciária romana, a ex-deputada divulgou um vídeo ao lado do advogado Pieremilio Sammarco, responsável por sua defesa no país europeu. “Agora estamos livres para continuar uma vida de missão. Vocês logo saberão qual é essa missão”, declarou na gravação publicada em suas redes sociais.
Entenda o histórico do caso
Em julho de 2025, Zambelli foi detida em Roma ao tentar escapar de um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Por possuir dupla cidadania, ela buscava asilo político em território italiano. Nos primeiros graus da Justiça da Itália, o pedido de extradição chegou a ser aceito; entretanto, recursos impediram a execução imediata.
As investigações brasileiras apontam que Zambelli foi a autora intelectual da invasão ao sistema do CNJ, ação realizada pelo hacker Walter Delgatti, também condenado, com o objetivo de emitir um falso mandado de prisão contra Moraes. Após a fuga para a Europa, o Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição junto às autoridades italianas.
Na sessão que culminou na negativa da extradição, magistrados da Corte de Cassação destacaram inconsistências processuais. O posicionamento coincide com decisões recentes de tribunais europeus. Em dezembro de 2025, a Justiça da Espanha recusou a entrega do blogueiro Oswaldo Eustáquio, investigado pelo STF por supostos atos antidemocráticos, alegando “motivação política” na investigação brasileira.
Repercussão internacional e próximos passos
A decisão italiana ganhou destaque em veículos como o site oficial da Corte de Cassação, reforçando o debate sobre cooperação jurídica entre Brasil e países da União Europeia. No âmbito doméstico, o governo brasileiro ainda pode recorrer a instâncias diplomáticas, mas advogados consultados afirmam que reverter a sentença em solo italiano é considerado improvável.
Zambelli deverá cumprir medidas administrativas de rotina, como informar endereço fixo às autoridades locais, porém sem restrições de locomoção dentro da Itália. Caso o STF emita novos pedidos ou surjam provas adicionais, o processo poderá ser reavaliado, mas, por ora, a ex-deputada permanece livre.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
