Expulsão de jornalistas da Câmara foi a justificativa apresentada pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), para retirar profissionais de imprensa do plenário em 9 de dezembro, durante protesto do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) contra a votação que poderia cassar seu mandato.
Segurança citada como motivo principal
Em nota divulgada em 11 de dezembro, Motta afirmou que seguiu o Ato da Mesa nº 145/2020 após solicitação da Polícia Legislativa. O documento prevê retirada de assessores, servidores e imprensa quando houver risco à integridade de parlamentares e demais presentes. A ocupação da Mesa Diretora por Braga, posteriormente removido à força, foi apontada como fator de risco.
Transmissão da TV Câmara interrompida
A Presidência explicou que a suspensão automática da sessão, conforme a Ordem de Serviço nº 5/2022, transferiu a transmissão para a reunião da Comissão de Saúde. Segundo a Casa, trata-se de procedimento técnico padrão quando o plenário é fechado.
Entidades criticam agressões
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificou o episódio como “extremamente grave” e denunciou cerceamento do direito à informação. Para a presidente da entidade, Samira Castro, o argumento de segurança não justifica a “truculência” relatada, que incluiu puxões, cotoveladas e empurrões contra repórteres, cinegrafistas e fotógrafos; alguns precisaram de atendimento médico.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) anunciou que ingressará com ações judiciais contra Motta devido às “violências cometidas pela Polícia Legislativa”.
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Encontro cancelado e investigação interna
Motta chegou a marcar reunião com representantes do Comitê de Imprensa para 10 de dezembro, mas cancelou alegando falta de tempo. No comunicado posterior, lamentou os transtornos, negou intenção de restringir o trabalho jornalístico e prometeu incorporar os relatos dos profissionais à apuração em curso para identificar “eventuais excessos”.
Protesto de jornalistas no Congresso
No mesmo dia 10, um grupo de jornalistas realizou ato no Salão Verde da Câmara contra a censura e a violência policial. Cartazes e faixas pediam respeito à liberdade de imprensa e punição aos responsáveis. Os manifestantes também solicitaram acesso irrestrito ao plenário em futuras votações sensíveis.
O episódio reacendeu o debate sobre transparência no Parlamento e segurança de profissionais de comunicação em coberturas políticas. Especialistas apontam que a garantia de acesso da imprensa a sessões públicas é condição básica para o controle social e a democracia.
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Crédito da imagem: Lula Marques/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
