George Santos usou informações antecipadas para apostar no mercado de previsões sobre o discurso de Trump ao Congresso. Autoridades federais apuram se ele se beneficiou financeiramente ao antecipar sua própria presença no evento.
As autoridades dos Estados Unidos estão investigando o ex-deputado George Santos, que é filho de brasileiros, por suspeitas de uso de informação privilegiada em um mercado de apostas ligado ao discurso anual do presidente Donald Trump ao Congresso.
A investigação das autoridades federais se concentra na possibilidade de que Santos tenha apostado sobre sua própria participação no evento, utilizando informações prévias para obter vantagem financeira. A situação se complicou quando, pouco antes do discurso, que ocorreu no fim de fevereiro, Santos anunciou nas redes sociais que compareceria à cerimônia. Sua presença se tornou um tema de apostas na plataforma Kalshi, que é especializada em mercados de previsão.
George Santos, de origem brasileira, teve seu mandato cassado em dezembro sob denúncias de fraude.
Apesar de ter feito uma declaração pública sobre sua presença, Santos não compareceu ao evento. Informações indicam que a própria Kalshi identificou que ele havia feito apostas contra sua presença no discurso. A empresa decidiu encaminhar o caso ao Departamento de Justiça e à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), que é o órgão responsável pela supervisão do setor.
A investigação da CFTC sobre o caso está em andamento, mas ainda não há confirmação se o Departamento de Justiça abrirá um procedimento próprio. Até o momento, Santos não se pronunciou sobre as acusações que pesam contra ele.
Esse episódio surge em um contexto de crescente pressão sobre o governo Trump para implementar fiscalizações em relação a possíveis abusos nos mercados de previsão, que ganharam destaque e crescimento nos últimos anos. A Kalshi, entre as plataformas mais conhecidas do setor, possui vínculos com membros do círculo político do presidente norte-americano.
Santos já possui um histórico de problemas judiciais. Ele foi ex-representante republicano por Nova York e, em 2023, foi acusado de fraude, resultando na perda de seu mandato e em uma condenação a sete anos de prisão. Posteriormente, recebeu perdão presidencial de Donald Trump e foi liberado da prisão em outubro do ano passado.
A investigação que envolve Santos é o terceiro caso recente relacionado ao suposto uso de informação privilegiada nos mercados de apostas nos Estados Unidos.

