Ex-assessora de Lira é alvo de buscas da PF na Câmara A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na Câmara dos Deputados em 12 de dezembro de 2025, tendo como foco Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).
Operação mira liberação de emendas do orçamento secreto
Autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), as diligências investigam a suspeita de que Tuca enviava ofícios às comissões internas determinando o repasse de verbas do chamado orçamento secreto, mecanismo que ocultava autores e beneficiários das emendas. Depoimentos de seis parlamentares e de uma servidora sustentam a tese de que os recursos eram redirecionados, em especial, para Alagoas, reduto eleitoral de Lira.
Ausência de dados digitais motivou apreensão física de documentos
A ex-assessora já havia tido o sigilo telemático quebrado, mas a PF encontrou poucos registros armazenados em nuvem ou aparelhos. A corporação apontou indícios de que as informações sensíveis estavam preservadas apenas em papéis ou dispositivos físicos, o que justificou a busca no gabinete que Tuca ocupa atualmente na liderança do PP.
Relatos de parlamentares reforçam suspeitas
Segundo os depoimentos colhidos, os deputados Glauber Braga (Psol-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP), Dr. Francisco (PT-PI) e o senador Cleitinho (Republicanos-MG) confirmaram pressões para que emendas fossem realocadas. Um relatório parcial da PF descreve que, desde 2020, Tuca ocupou cargos estratégicos na administração pública graças à indicação de Lira, atuando de forma “contínua, sistemática e estruturada”.
“Conta de padaria” na formulação do Orçamento
Os investigadores destacaram uma anotação manuscrita que teria deslocado verbas de um município para outro, descrevendo o método como digna de “conta de padaria”. Para Dino, a prática demonstra a necessidade de transparência imposta pelo STF quando proibiu o orçamento secreto, decisão que permanece sob sua relatoria.
O inquérito integra um conjunto maior de apurações que analisam possíveis desvios em emendas parlamentares. Até o momento, nenhuma conclusão final foi divulgada, e a defesa dos envolvidos não se manifestou publicamente.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
