Em Nova York, os EUA propuseram à China um mecanismo para notificar incidentes de IA com risco à segurança nacional. Participaram Scott Bessent, Jamieson Greer e o vice‑primeiro‑ministro He Lifeng.
Representantes comerciais dos Estados Unidos e da China realizaram, nesta segunda-feira, 21, uma nova rodada de negociações econômicas em Nova York. Durante o encontro, os Estados Unidos propuseram a criação de um mecanismo de notificação para incidentes envolvendo inteligência artificial (IA) que possam afetar a segurança nacional de ambas as nações.
Participaram da reunião o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, o representante comercial americano, Jamieson Greer, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng. A proposta americana prevê que o mecanismo registre e reporte ameaças identificadas durante o desenvolvimento de projetos de IA, com o objetivo de ampliar transparência entre as duas potências.
Depois do encontro, Bessent disse a jornalistas que o mecanismo busca dar transparência a objetivos em comum entre os dois países e que a transição de um cenário de opacidade para outro de maior transparência é fundamental entre as maiores potências mundiais em IA. O secretário norte-americano não informou qual foi a reação do lado chinês à proposta.
Em comunicado sobre a reunião, a agência estatal chinesa deu menos destaque ao tema da IA e enfatizou, em vez disso, a criação de uma plataforma de negociação direta entre os dois governos — iniciativa que já havia sido acordada em encontro anterior entre os presidentes em Pequim.
A reunião em Nova York funcionou como preliminar ao encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, marcado para a próxima quinta-feira, 24, em Washington. A plataforma de negociação direta entre os dois países deve ser um dos acordos formalizados no encontro.
Nos últimos dias, executivos e políticos de ambos os países manifestaram preocupação com o avanço acelerado da IA. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu, neste mês, que o desenvolvimento da tecnologia avance em ritmo mais controlado. Os CEOs da OpenAI, Sam Altman, e da Tesla, Elon Musk, concordaram com essa avaliação.
Por outro lado, Trump afirmou no último sábado, 19, que não pretende frear o desenvolvimento da IA nos Estados Unidos, prometendo criar uma força-tarefa para impulsionar o setor e indicar um responsável para liderar o projeto.
Na China, o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, escreveu em 15 de setembro que a IA é o principal campo de disputa tecnológica global e que a rápida disseminação da tecnologia representa uma ameaça à segurança política e à defesa do país. Essas posições mostram a tensão entre interesses de desenvolvimento econômico e preocupações de segurança que estarão presentes nas conversas entre Washington e Pequim.
