Washington pressiona Teerã a aceitar novas condições antes de fechar qualquer acordo. Trump foca no descongelamento de fundos e prolonga as negociações diplomáticas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devolveu ao Irã a proposta de acordo que estava em negociação entre os dois países, solicitando mudanças em pontos que a Casa Branca considera centrais. Essa decisão prolonga ainda mais o diálogo entre as nações.
De acordo com informações de três autoridades, as alterações visam acelerar o processo, pressionando o Irã a aceitar condições mais favoráveis aos Estados Unidos. Contudo, os detalhes dessas mudanças não foram divulgados publicamente.
A principal preocupação de Trump reside no descongelamento de fundos para o Irã. Ele tem criticado o ex-presidente Barack Obama por ter tomado uma medida semelhante no acordo de 2015, que tinha como objetivo conter o programa nuclear iraniano.
Adicionalmente, o presidente expressou frustração com o tempo que o Irã tem levado para responder às propostas dos EUA. Uma das autoridades americanas mencionou que o acordo agora deve ser examinado pelo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.
Na sexta-feira, 29 de maio, Trump se reuniu por duas horas na Casa Branca com seus principais assessores para discutir uma solução para a guerra, mas saiu da reunião sem fazer anúncios. No entanto, ele tem reiterado que está próximo de um acordo.
O acordo em questão encerraria a campanha militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em troca de que os iranianos levantassem seu bloqueio ao Estreito de Ormuz, uma via essencial para o transporte de petróleo e gás. Este estreito estava aberto antes do início da guerra, que começou em 28 de fevereiro.
As negociações com o Irã têm sido marcadas por divergências significativas. Trump exige controle sobre o estoque iraniano de urânio enriquecido, enquanto o regime iraniano defende que o processo de negociação não deve incluir discussões sobre seu programa nuclear.
Além disso, os Estados Unidos querem que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação, sem cobrança de pedágio ou tarifas, algo que o Irã tem imposto desde o início do conflito. Outras exigências americanas incluem o término do apoio a milícias que atuam no Oriente Médio com respaldo iraniano, como Hezbollah, Hamas, os houthis e grupos armados xiitas iraquianos.
Trump se encontra em uma encruzilhada. Se optar por aceitar um acordo que considere desfavorável, poderá enfrentar críticas de sua própria base republicana. Por outro lado, se decidir manter as hostilidades, especialmente com o Estreito de Ormuz fechado, os preços dos combustíveis podem continuar a subir, o que pode impactar sua popularidade entre os eleitores.
