EUA atacam Irã e Teerã reage contra base dos EUA no Kuwait
EUA atacam Irã e Teerã reage contra base dos EUA no Kuwait em meio a uma escalada que já dura três dias e ameaça o frágil cessar-fogo na região. Na madrugada de quinta-feira (28 de maio), forças norte-americanas bombardearam alvos próximos ao aeroporto de Bandar Abbas; poucas horas depois, o Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) afirmou ter lançado mísseis contra uma instalação militar dos EUA que, segundo Washington e o Kuwait, estaria em território kuwaitiano.
Detalhes dos bombardeios
De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a ofensiva inicial teve como objetivo neutralizar seis drones que se preparavam para decolar da cidade portuária de Bandar Abbas, próximo ao Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. Cinco aeronaves não tripuladas foram abatidas; a sexta foi impedida de ser lançada.
Em resposta, o IRGC informou ter alvejado a base apontada como origem dos ataques norte-americanos às 4h50 (horário local). “Se houver repetição, a reação será ainda mais decisiva”, advertiu o comunicado oficial divulgado pelo órgão militar de Teerã.
Kuwait intercepta projéteis
Embora o Irã não tenha especificado a localização exata da instalação norte-americana, o Estado-Maior do Exército do Kuwait relatou ter destruído drones e mísseis que cruzavam seu espaço aéreo. Explosões foram registradas em diversos pontos do país durante a operação de defesa.
A retaliação iraniana recebeu críticas de vizinhos do Golfo. Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos condenaram “nos termos mais fortes” o lançamento de projéteis em direção ao Kuwait. A tensão reacende o temor de que o conflito ultrapasse fronteiras e atinja produtores de energia estratégicos para os mercados globais, como analisa reportagem da Reuters.
Conflito paralelo no Líbano
Enquanto Teerã e Washington trocam acusações, Israel mantém sua campanha de bombardeios no Líbano, inclusive na capital Beirute. O Hezbollah, por sua vez, continua a lançar foguetes contra posições israelenses. Segundo o Ministério da Saúde libanês, mais de 3,2 mil pessoas morreram e 9,7 mil ficaram feridas desde o reinício dos confrontos em 2 de março.
Negociações emperradas
As tratativas diplomáticas seguem sem avanço. O Irã exige a retirada de tropas norte-americanas do Oriente Médio, acesso a recursos financeiros congelados e o fim das sanções econômicas. Washington condiciona qualquer alívio à entrega do estoque de urânio iraniano enriquecido e à plena abertura do Estreito de Ormuz.
O presidente da comissão de segurança nacional do Parlamento iraniano, Ibrahim Azizi, reforçou que Teerã não pretende ceder em “linhas vermelhas” como o direito de enriquecer urânio. Com posições distantes, analistas veem risco crescente de que um incidente regional escale para confronto aberto entre potências.
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Crédito da imagem: Majid Asgaripour/WANA via Reuters
Fonte: Majid Asgaripour/WANA via Reuters
