Washington propõe tarifa extra de 12,5% sobre importações do Brasil após relatório criticar políticas trabalhistas. Governo Lula reagiu nesta quarta à conclusão preliminar divulgada pelo USTR.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, à conclusão preliminar de uma investigação realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O relatório classificou como prejudiciais ao comércio norte-americano as políticas adotadas pelo Brasil e por outros países no combate ao trabalho forçado.
Divulgado no dia 2 de junho, o documento faz parte de uma investigação que se baseia na Seção 301 da Lei do Comércio, de 1974. Essa investigação propõe a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre produtos importados, focando em países que, segundo o USTR, não proíbem o trabalho forçado e que não fiscalizam adequadamente a entrada dessas mercadorias.
Um dia antes do relatório ser divulgado, o USTR sugeriu uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando que o Brasil adota práticas desleais no comércio internacional. O governo Lula contesta essa conclusão.
Em nota, a Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social (Secom) manifestou “profunda discordância” com a conclusão preliminar dos Estados Unidos.
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O órgão classificou como “lamentável” que um tema tão relevante como a proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores seja utilizado como justificativa para medidas protecionistas unilaterais. A Secom repudiou as acusações, considerando um absurdo associar a economia brasileira ao trabalho degradante e reafirmou que a competitividade do país não depende de insumos que violem a dignidade humana.
Além disso, a nota da Secom ressaltou que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) apoia a postura do Brasil, reconhecendo o país como uma referência internacional no combate ao trabalho forçado há décadas.
O governo Lula também afirmou que se reserva o direito de utilizar instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade para responder ao que classificou como uma “injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional”.
Na parte final da manifestação, a Secom demonstrou otimismo, esperando que as recomendações do USTR não se transformem em tarifas efetivas. Mesmo assim, o governo reiterou que tomará medidas para proteger a economia, o emprego e a renda dos brasileiros.

