Washington aponta falhas do Brasil no combate à corrupção e mira decisões do STF. Relatório de 107 páginas pode resultar em tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
O governo dos Estados Unidos, por meio do Escritório do Representante Comercial (USTR), apresentou um relatório que sugere a imposição de taxas de 25% sobre produtos brasileiros. Essa decisão é fundamentada em seis práticas que são consideradas “desarrazoadas ou discriminatórias”, as quais afetam o comércio com os EUA. Um dos destaques do relatório é a menção ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em relação à leniência do Brasil no combate à corrupção.
O documento de 107 páginas, divulgado no dia 1º de junho de 2026, afirma que “o Brasil falhou e continua falhando em tomar medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção”. O relatório menciona um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado em outubro de 2023, que expressou preocupação sobre a capacidade do Brasil de manter um combate eficaz ao suborno, especialmente considerando o envolvimento de empresas brasileiras em grandes escândalos de corrupção na última década.
Uma das decisões de Toffoli citadas no relatório refere-se à anulação de provas do acordo de leniência com a Odebrecht, que admitiu a participação em diversos casos de corrupção. A defesa da Odebrecht alegou que houve “coação” devido a um suposto conluio entre o Ministério Público e o Judiciário, o que levou à decisão favorável de Toffoli. O ministro também tomou decisões semelhantes em favor do grupo J&F, controladora da JBS, que confessou ter realizado pagamentos de propina para obter vantagens.
Além disso, em dezembro de 2023, Toffoli suspendeu uma multa de R$ 10,3 bilhões imposta à J&F. O relatório dos EUA observa que, em 2024, diversas penalidades aplicadas pela Operação Lava Jato a empresas que confessaram corrupção foram suspensas e puderam ser renegociadas, um processo que foi criticado por falta de transparência e por potenciais conflitos de interesse.
O governo dos EUA também menciona o retrocesso nas medidas anticorrupção no Brasil, afirmando que, apesar das críticas internacionais, poucas ações foram tomadas para reverter essa situação. O relatório indica que o Brasil está aquém da média dos países da OCDE em indicadores de integridade pública e destaca a morosidade dos processos judiciais relacionados ao combate à corrupção.
Denúncias feitas pela Transparência Internacional em janeiro de 2026 afirmam que a filial da organização no Brasil enfrenta crescente assédio por parte do governo, especialmente após seus apelos por mais transparência no setor de infraestrutura pública. O documento critica a lentidão dos processos judiciais que envolvem corrupção, apontando que, até o momento, o primeiro e único caso de suborno internacional levado a julgamento ainda se arrasta desde 2014.

