Washington endurece o tom nas negociações com Teerã e avisa que voltará a combater caso suas condições não sejam aceitas. Cessar-fogo firmado em abril está sob pressão após novos confrontos.
No último sábado, 30 de maio, os Estados Unidos afirmaram que estão prontos para retomar a guerra contra o Irã, destacando que qualquer acordo de paz só será viável se suas “linhas vermelhas” forem respeitadas. As negociações indiretas entre Teerã e Washington, que buscam um fim duradouro para o conflito no Oriente Médio, estão estagnadas, especialmente após os confrontos recentes, os mais intensos desde a trégua estabelecida em 8 de abril.
Fontes em Washington relataram na quinta-feira a possibilidade de um acordo que incluiria uma prorrogação de 60 dias do cessar-fogo, mas as discussões continuam sem avanço. O presidente Donald Trump, em sua rede social, enfatizou que o Irã deve aceitar que nunca terá armas nucleares e exigiu a destruição dos estoques de urânio altamente enriquecido do país.
Os Estados Unidos e Israel acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares, uma alegação que Teerã nega. O Irã, por sua vez, quer abordar a questão nuclear após a assinatura do protocolo de acordo em negociação, além de exigir o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados pelos EUA. A emissora estatal Irib do Irã afirmou que um esboço não oficial do acordo proposto inclui a liberação de 12 bilhões de dólares (cerca de R$ 60,7 bilhões) em ativos.
A Casa Branca, no entanto, desqualificou essas alegações como uma “invenção”. Outro ponto de tensão é o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio mundial de petróleo, que o Irã mantém praticamente bloqueada desde o início da guerra. Trump afirmou que o estreito deve ser aberto imediatamente e que o Irã deve desminá-lo, enquanto os EUA impõem um bloqueio aos portos iranianos.
De acordo com marinheiros iranianos, os EUA ainda estão impedindo a circulação de navios comerciais iranianos. Um funcionário da Casa Branca enfatizou que Trump só fará um acordo que seja benéfico para os Estados Unidos e que respeite suas condições. Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que as comunicações com os EUA continuam e defendeu a “situação especial” do Estreito de Ormuz, que está em águas territoriais do Irã e de Omã.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, alertou que o país está “mais do que capaz” de reiniciar hostilidades contra o Irã, se necessário. No mesmo dia, o chefe da diplomacia turca, Hakan Fidan, declarou que um acordo estava “mais próximo do que nunca”, enfatizando a importância de resolver a questão do bloqueio do Estreito de Ormuz em relação a temas nucleares.
A guerra já causou milhares de mortes e impactou a economia global, elevando os preços do petróleo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial alertaram sobre o risco de escassez de petróleo. Além disso, o Irã exige o fim dos combates no Líbano, onde seu aliado Hezbollah está em conflito com Israel desde 2 de março.
No último sábado, Israel intensificou os bombardeios no sul do Líbano, mesmo com um cessar-fogo supostamente em vigor desde 17 de abril. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou a “escalada perigosa e sem precedentes” de Israel, que, segundo ele, está aplicando uma política de punição coletiva. Salam, entretanto, defendeu a decisão de iniciar negociações com Israel, considerando-a o “caminho menos custoso” para o país, apesar da oposição do Hezbollah.
Na sexta-feira, autoridades militares de ambos os países se reuniram em Washington, preparando-se para nova rodada de negociações nos dias 2 e 3 de junho, visando um acordo de segurança.
