Washington declarou estar pronto para voltar ao conflito caso o Irã desrespeite suas condições. Propostas de cessar-fogo seguem sem avanço após confrontos intensos no Oriente Médio.
No último sábado, 30 de maio, os Estados Unidos afirmaram que têm condições de retomar a guerra contra o Irã, ressaltando que qualquer acordo de paz só será viável se suas “linhas vermelhas” forem respeitadas. As negociações entre Teerã e Washington, que ocorrem de forma indireta, visam encerrar de maneira definitiva o conflito no Oriente Médio, mas o futuro das conversas é incerto, especialmente após os confrontos mais intensos desde a implementação de uma trégua em 8 de abril.
Na quinta-feira, fontes em Washington mencionaram uma proposta de extensão do cessar-fogo por 60 dias, mas as discussões seguem travadas. O presidente Donald Trump, em sua rede Truth Social, afirmou que “o Irã deve aceitar que nunca terá armas nucleares” e exigiu a destruição dos estoques de urânio altamente enriquecido da república islâmica.
Os EUA e Israel, que iniciaram a guerra com um ataque conjunto em 28 de fevereiro, acusam o Irã de buscar armas nucleares, algo que o país nega. Teerã, por sua vez, exige a resolução da questão nuclear somente após a formalização de um protocolo de acordo em negociação. Além disso, o Irã pede a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados pelos EUA.
“Deve ser aberto imediatamente”, afirmou Trump sobre o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio global de petróleo, que o Irã mantém praticamente bloqueada desde o início do conflito. A Casa Branca, no entanto, já classificou alegações de liberação de ativos iranianos como “invenção”.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, destacou que o país está “mais do que capaz” de reiniciar as hostilidades caso seja necessário, enfatizando que as reservas militares estão adequadas para essa eventualidade.
A situação no Líbano também é um ponto de tensão, onde o movimento xiita Hezbollah, aliado do Irã, enfrenta Israel. Apesar de um cessar-fogo em vigor desde 17 de abril, Israel voltou a bombardear o sul do Líbano, levantando preocupações sobre uma escalada no conflito. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, criticou a intensificação dos ataques israelenses, caracterizando-os como uma “perigosa e sem precedentes escalada”.
As autoridades militares dos dois países se reuniram na sexta-feira, 2 de junho, em Washington, com o objetivo de preparar uma nova rodada de negociações de segurança, que deverá ocorrer nos dias 2 e 3 de junho. A guerra no Oriente Médio resultou em milhares de mortes e impactou a economia global, elevando os preços do petróleo e gerando alertas de escassez por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
